A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 09/08/2021
Em consonância com o sociólogo francês Émile Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico que, para ser igualitário e coeso, depende das partes que o compõem. Sendo assim, com a visível problemática de fome no país, vê-se falhas nesse funcionamento. Nesse contexto, faz-se necessário analisar e compreender os fatores motivadores do problema, dentre tantos, a insuficiência legislativa e a desigualdade.
Em primeiro plano, é indubitável que a falha constitucional esteja entre as razões do problema. Segundo Jonh Locke, filósofo contratualista, as leis fizeram-se para os homens e não para as leis, ou seja, uma lei ao ser planejada, deve de alguma forma ajudar os cidadãos, e não ficar somente no papel. No entanto, não é a realidade encontrada, já que mais de 7 milhões de brasileiros convivem diáriamente com a fome, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mesmo com a existência dos Direitos Humanos, que garante a todo e qualquer cidadão seus direitos básicos, como acesso à alimentação. Desse modo, é nítido as falhas no sistema legislativo, como reflexo de um Poder Executivo falho.
Ademais, a desigualdade é tambem uma forte contribuinte para a persistência de tal conjuntura. No livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, desprovido do acesso ao conhecimento, acabava sendo explorado e humilhado por aqueles que detém o saber. Fora da literatura, a realidade encontrada nas regiões Nordeste e Norte não se diferem, já que de acordo com o IBGE, o Nordeste é a região mais afetada com a fome, e o Norte mais de 60% da população passa fome. Mesmo com a agricultura bem desenvolvida, o que mostra a gravante da exploração e subordinação alguns estados sobre outros, como na obra.
Mediante os fatos, é preciso, portanto, que o Poder Executivo seja mais rigoroso com o Legislativo, através de maior fiscalização das leis, a fim de garatir os direitos dos cidadãos e tornar as leis ja existentes eficazes. Além do Ministério da Economia criar um auxilio alimentação voltado para as regiões mais carentes, através de uma destribuição de renda justa e correta, com um valor suficiente para que possa ser feito uma compra mensal de alimentos suficientes para não se passar fome. Acredita-se que dessas formas será possível amenizar e erradicar a fome no país e manter o “corpo biológico” em perfeito funcionamento.