A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 09/08/2021
No século XIX, Thomas Malthus, economista inglês, elaborou uma teoria sobre a fome: enquanto a produção de alimentos crescia em uma progressão aritmética, a população aumentava em uma progressão geométrica, o que inevitavelmente conduziria a humanidade à miséria. Os desdobramentos históricos que sucederam essa hipótese mostram que a problemática é mais complexa do que Malthus pensava, já que, a partir das técnicas descobertas durante a Revolução Verde, foi possível garantir o sustento de bilhões de pessoas. Esse avanço tecnológico, no entanto, devido à desigualdade social existente no país, não é acessível a todos, o que, somado à ineficiência estatal, sustenta a questão da fome no Brasil.
Em primeiro lugar, convém apontar que a desigualdade social é uma das causas da problemática. De acordo com o filósofo Karl Marx, uma das características do sistema capitalista é a inevitável desigualdade entre as classes. A partir disso, pode-se pensar que aqueles que pertencem às classes desfavorecidas — tais quais os 27 milhões de brasileiros que vivem na linha da pobreza — enfrentarão mais dificuldades ao adquirir alimentos. Isso porque, no sistema capitalista, a comida não é vista como direito humano, mas como mercadoria. Assim, a desigualdade social, produto do capitalismo, é um dos fatores que propiciam a fome no país.
Ademais, é preciso pontuar que a inoperância estatal permite a continuidade da fome. Nesse sentido, o programa ‘’Fome Zero’’, criado durante o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, construiu restaurantes populares e apoiou financeiramente milhares de famílias carentes, consolidando-se como um exemplo de atuação pública efetiva. Apesar disso, ainda são poucas as iniciativas do Estado, que, quando as organiza, muitas vezes o faz com atrasos nos pagamentos e desvio de verbas, operando de forma ineficiente. Desse modo, esse processo viabiliza a permanência da fome no Brasil ao não auxiliar aqueles que sofrem com a questão.
Portanto, são essenciais medidas operantes para a reversão da questão da fome no Brasil. Para isso, compete ao Ministério da Cidadania, por meio de recursos autorizados pelo Tribunal de Contas da União, investir na construção de restaurantes públicos que garantam alimentação aos cidadãos carentes tanto na zona urbana, quanto na zona rural. Nesse sentido, deve-se levar em consideração a necessidade de promover uma dieta rica, nutritiva e diversificada. Ademais, cartazes devem ser divulgados em espaços públicos com o objetivo de orientar os cidadãos carentes a frequentarem esses restaurantes. Somente assim, será possível garantir alimentação adequada a todos e escapar da miséria anunciada por Malthus.