A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 21/08/2021

Com suas raízes no período da colonização, juntamente ligada ao processo da criação da economia no país, a fome, segundo Josué de Castro, famoso ativista brasileiro, era fruto da priorização mercantil de exportação de alimentos para os portugueses e dos desiguais níveis sociais existentes. Não muito diferente daquela época, atualmente, a carência de alimentos ainda assola grande parte das famílias brasileiras. De acordo com a revista BBC News, os seus fatores motivadores mais significativos não se diferem tanto do período colonial, sendo eles a má distribuição de alimentos pelo país e a baixa renda. Dessa maneira é preciso explorar esses obstáculos, os quais dificultam o embate à fome no país.

Inicialmente, é importante salientar, que o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, porém, contraditoriamente, enquanto suas exportações não param de crescer, as evidências de insuficiência alimentar só aumentam. Ao passo que algumas regiões do país sofrem com a carência nutricional, outros países são alimentados pelo Brasil. Nessa perspectiva, se evidencia a deficiência na distribuição de alimentos pelo país, onde uma nação agrícola, não é capaz de nutrir seu próprio povo. A título de exemplo, consoante à pesquisa realizada pela BBC News, 10 milhões de brasileiros passavam fome em 2020 sendo 23% de áreas urbanas e 40% de áreas rurais. Já em suas exportações, só no ano anterior a esse, o Brasil foi capaz de transportar comida para 180 países. Dessa forma, a questão da fome no Brasil se intensifica, devido à falta de priorização do sustento populacional.

Ademais, a dificuldade financeira é outra condição que favorece a ocorrência da subalimentação no país, já que, devido à baixos salários, muitas pessoas são incapazes de obter a quantidade necessária de alimentos para sustentar suas famílias. Nesse viés, a crise econômica decorrente da pandemia do novo corona vírus, é um aspecto importante para o atual cenário da fome no país, visto que, com a sua chegada, milhões se encontram desempregados. Conforme pesquisas realizadas pelo IBGE, em 2021, mais de 70 milhões de brasileiros permanecem sem renda fixa mensal, paralelo à isso, 19,3 milhões de pessoas vivem na extrema pobreza, sem ter condições de se alimentar. Assim, a insuficiência monetária, permanece sendo o grande obstáculo para a superação da fome no Brasil.

Infere-se, portanto, que ações sejam tomadas para o decrescimento da problemática. Sendo assim, cabe ao governo federal, por meio do poder legislativo, criar políticas públicas que priorizem  o comércio interno, para que a venda de alimentos dentro do país tenha uma maior valorização e acessibilidade. Além disso, cabe também ao governo, mediante ao poder executivo, gerar projetos que visem a criação de novos empregos e programas de transferência de renda efetivos, a fim de que, mais famílias tenham uma renda que as possibilitem do acesso à alimentação no mínimo aceitável para o seu sustento.