A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 21/08/2021

Segundo o IBGE, aproximadamente 10,3 milhões de brasileiros tiveram privação severa de alimentos ao menos em alguns momentos entre os anos de 2017 e 2018, em contrapartida, um estudo feito em 2016 pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação mostrou que a produção mundial de alimentos é suficiente para suprir a demanda da população humana. Assim, constata-se que a fome não é apenas um problema de escassez de recursos, mas sim um problema de gestão desses recursos devido principalmente a visão de lucro capitalista e a desigualdade socioeconômica.

Primeiramente, cabe notar que a fome no Brasil se relaciona fortemente com a desigualdade socioeconômica e a mercantilização da comida. Nessa lógica, observa-se que um ciclo da fome é formado. Isso porque, os indivíduos que não possuem o trabalho, que no Brasil passa de 14,7% da população, não conseguem se alimentar, o que os faz ficarem fracos e desnutridos e acaba diminuindo as chances dessas pessoas conseguirem um emprego, fazendo-as permanecer na mediocridade. Dessa forma, a fome no Brasil se torna um ciclo acentuado pela própria desigualdade do país.

Além disso, o descarte de sobras pelos restantes acaba se tornando um agravante para a fome, isso se deve muito ao fato de que, no Brasil, as sobras entregues pelos restaurantes continuam na responsabilidade dos mesmos em caso de problemas como intoxicações alimentares. Nesse contexto, as sobras que deveriam ser doadas ou distribuídas para os necessitados acabam apenas sendo jogadas no lixo, além disso são geradas situações em que refeições não são distribuídas, mas restos de ossos sim. A título de exemplo, em 2021 no Brasil, os moradores de rua de algumas cidades estão se aglomerando em frente aos açougues para receberem apenas ossos. Dessa maneira, a doação das sobras são desencorajadas, ao invés de serem incentivadas como ferramenta para o combate à fome.

Em suma, para o combate à fome no Brasil, algumas ações são primordiais. Primeiramente cabe ao Governo, por meio do Poder Legislativo, realizar projetos de leis que diminuam a responsabilidade dos estabelecimentos como restaurantes a respeito de sua comida doada, com o intuito de incentivar esses estabelecimentos a doar suas sobras para centros de ajudas aos mais necessitados.