A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 09/08/2021

Atualmente, o Brasil se destaca como um dos maiores exportadores de produtos agropecuários do mundo. Entretanto, a população ainda apresenta um alto índice de escassez de alimentos. Assim, percebe-se a fome, não como resultado de baixa produção alimentícia, mas como produto da alta desigualdade no Brasil.

É um cenário comum em séries, filmes, livros, dentre outros meios de propagação midiática, a abundância de comida em ambientes ricos e nobres, assim como o presente contraste com a realidade do povo, cenas como são vistas em séries como Desencanto, uma serialização animada que retrata uma realidade fictícia medieval, onde tal disparidade é exemplificada em visitas às casas do povo de Dreamland. Semelhante ao desenho, tais diferenças são também presentes na vida real, onde, em muitas casas de alta renda, existe uma evidente disponibilidade alimentícia, o que não reflete de qualquer maneira a realidade em faixas socioeconômicas mais baixas, que, mesmo participando de um país responsável por grande parte das exportações agropecuárias mundiais, ainda apresenta altos índices de falta de comida em muitas residências. Nota-se portanto, que a fome no país não se deve à escassez de alimento, mas é um subproduto da desigualdade no Brasil.

O filme O Poço propõe um experimento ficcional o qual seus participantes poderiam ou não ser restritos à comida, tal fator sendo dependente da vontade dos outros membros, aqueles com o poder sobre o alimento seriam decididos pela sorte. No longa metragem, há comida o suficiente para todos àqueles que entraram no desafio, ainda assim, a fome e desigualdade se mostraram exponencialmente presentes durante todo o processo, esse constante aumento da má distribuição foi reflexo das ações dos mais privilegiados no experimento, que comiam mais do que deveriam, provocando fome àqueles mais abaixo. De modo semelhante, na vida real a propagação de estruturas e meios desiguais apenas corrobora para o crescimento da própria desigualdade. Percebe-se então a natureza exponencial da má distribuição de direitos e a necessidade de detê-la.

Repara-se assim a existência da possibilidade do Estado promover, por exemplo, a redução dos impostos em comidas no comércio local ou pela distribuição de comida aos necessitados no Brasil. Isso colaboraria para refrear a desigualdade presente no país e defenderia os direitos humanos de se alimentar. Reduzindo assim a questão da fome no país.