A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 20/08/2021
A fome em meio à desigualdade e desperdício
O capital, segundo a teoria sociológica de Pierre Bourdieu, é um sinônimo de poder. Nessa lógica, quem possui grande capacidade financeira possui maior poder em relação aos demais, por conta de seu capital econômico. Dessa forma, visto que o acesso a uma boa alimentação depende de fatores econômicos, a fome relaciona-se com essa relação de poder proveniente da desigualdade social, além da má distribuição de alimentos e do desperdício.
A princípio, nota-se que a sociedade brasileira possui uma grande concentração de renda em posse de poucas pessoas, resultando em uma grande desigualdade. Tal fato acarreta em diversos problemas, entre os quais a fome, por, como citado anteriormente, relacionar-se com o fator econômico. A título de exemplo, cita-se a fila do osso, fenômeno noticiado pelo Fantástico, em que açougues distribuem ossos com pequenos pedaços de carnes para aqueles que não possuem condições de adquirir a própria comida. Logo, a desigualdade social é um dos motivadores da fome.
Além disso, fatores agravantes são a má distribuição de alimentos e seu desperdício. Apesar da Revolução Verde, ocorrida na segunda metade do século XX, ter apresentado um conjunto de transformações na agricultura, por meio de inovações tecnológicas mecânicas e químicas, que causou uma superprodução de alimentos, tais alimentos não apresentam uma boa distribuição. Nesse sentido, grande parte dos alimentos pertencem às pessoas que possuem maior renda, o que resulta em um desperdício pelo excesso de alimento e a falta para aqueles que não têm condições de comprar.
Portanto, para combater a fome no Brasil gerada pela desigualdade social, algumas ações são essenciais. Em primeiro lugar, o Governo, por meio do Ministério da Cidadania em parceria com o Ministério da Economia, deve investir na criação e disseminação de restaurantes populares, que forneçam alimento de boa qualidade e baixo custo para quem não houver condições de adquiri-lo, com o intuito de facilitar o acesso à comida, diminuindo a fome e a desigualdade social. Ademais, o Governo Municipal deve incentivar o menor desperdício e a adição consciente dos alimentos.