A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 11/08/2021
Em consonância com o sociólogo francês Émile Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico que, para ser igualitário e coeso, depende das partes que o compõem. Sendo assim, com a visível problemática de fome no país, vê-se falhas nesse funcionamento. Nesse contexto, faz-se necessário analisar e compreender as os fatores motivadores do problema, dentre tantos, a insuficiência de leis e a desigualdade.
Em primeiro plano, é indubitável que a falha constitucional esteja entre as razões do conflito. Segundo John Locke, filósofo contratualista, as leis fizeram-se para os homens e não para as leis, ou seja, uma lei ao ser criada, deve ter por objetivo ajudar os cidadãos na sua aplicação. No entanto, a realidade proposta por Locke não é a encontrada no Brasil, já que mais de 7 milhões de brasileiros convivem com a fome, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mesmo com a existência dos Direitos Humanos, que garante à todo e qualquer cidadão seus direitos básicos, como o acesso à alimentação. Desse modo, é nítido as falhas no sistema legislativo, como reflexo de um Poder Executivo falho, pois a leis está prevista na Constituição, mas está sendo ineficaz na prática.
Ademais, a desigualdade é também uma forte contribuinte para a persistência de tal conjuntura. Nessa perspectiva, no livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, desprovido do acesso ao conhecimento, acaba sendo explorado e humilhado por aqueles que detém o saber. Entretanto, fora da literatura, o cenário encontrado nas regiões Norte e Nordeste não se diferem da obra, já que segundo o IBGE, o Nordeste é a região mais afetada pela fome, e no Norte mais de 60% dos habitantes também passam fome, Tendo em vista que o país possui uma agricultura bem desenvolvida , nota-se a gravante de exploração e subordinação de alguns estados sobre outros, perpetuando esse triste panorama.
Mediante os fatos, é preciso, portanto, que o Poder Executivo seja mais rigoroso com o Poder Legislativo, por meio de maior fiscalização das leis, a fim de garantir os direitos de cada cidadão, conforme previsto pela Constituição. Tal ação pode tornar as leis já existentes eficazes e justas, sem ser necessário a criação de novas. Além do Ministério da Economia oferecer um cartão alimentação, que possa ser usado somente em comércios alimentícios, por meio da uma destribuição de renda correta, a fim de garantir as regiões mais carentes acesso à comida e a dignidade. Acredita-se que dessas formas será possível superar os fatores motivadores da fome no país e manter o “corpo biológico” em perfeito funcionamento.