A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 21/08/2021

No livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, é dissertado ao longo do livro a miséria e as andanças de Fabiano e sua família pelo sertão nordestino devido as secas constantes da região. Várias vezes, situações de fome ocorrem mesmo produzindo comida para seu patrão, com muito pouco disto chegando para seus parentes e a si mesmo. Passados mais de 80 anos de sua obra, tanto o Nordeste quanto diversas regiões brasileiras que ainda possuem grande incidência da fome, mesmo o país tendo capacidade de produzir quantidades imensas que são vendidas ao exterior, um efeito claro da concentração de renda que possuímos no Brasil e da falta de assistência a população necessitada.

Primeiramente, desde o início de nossa colonização, o país se viu dividido em várias capitanias hereditárias doadas por famílias ricas portuguesas e passadas de geração em geração, além é claro da Lei de Terras, que impôs com que ex-escravos e imigrantes recém-chegados no país não pudessem ter terras, já que seria necessário a compra destas do Estado, assim, destinando aqueles sem acesso a terra, o trabalho em latifúndios e nas cidades grandes vivendo em cortiços, ambos se sujeitando a cargas horárias pesadíssimas e com salários baixos.

Apesar de nosso país se destacar na produção de soja, laranja, café e cana-de-açucar, grande parte desta renda fica nas mãos dos grandes proprietários de terra, o que resulta no cultivo de culturas mais valorizadas no mercado internacional, deixando o consumo interno nas mãos de pequenos agricultores, gerando assim, uma baixa demanda para que a oferta de produtos para consumo próprio das pessoas.

Conclui-se então que, mesmo com o Brasil sendo um grande exportador de produtos agrícolas, ele peca em prestar assistência ao seu povo, deixando-o de lado. Portanto deve ao Estado, parar de negligenciar estas pessoas em situação de vulnerabilidade rever a questão da concentração de terras no país e discutirem no Senado Federal e na Câmara dos Deputados a respeito da reforma agrária para melhorar as condições de produção de alimentos para o comércio interno do país, viabilizando a maior produção de alimentos para a população, o que levará ao barateamento de alimentos para toda nação, inclusive àqueles que mais necessitam.