A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 19/08/2021
Os interesses financeiros que levam pessoas a subnutrição
No romance de Graciliano Ramos “Vidas Secas”, Fabiano e sua família vivem em miséria no sertão nordestino, onde o homem sofre tanto com a brutalidade de seu patrão no trabalho quanto com a fome e condições graves de pobreza em casa. Essa obra nos traz à tona uma triste realidade brasileira, onde assim como Fabiano milhões de pessoas passam por condições terríveis devido a falta de alimentos. Toda essa situação se dá devido à uma política antiga de monocultura de exportação do país e às mudanças climáticas que prejudicam o clima dos locais mais vulneráveis.
O Brasil adota, desde seu período colonial, um sistema extensivo de monocultura para exportação. Esse sistema sustenta o país até atualmente por causa da tardia industrialização na região, que acabou prendendo o país nas exportações de comodities. Isso se torna um grande prejuízo quando tratamos de fome, já que deixa enormes porções de terra nas mãos de poucos proprietários e que produzem para o mercado externo. Além disso, suas porções de terra não são completamente aproveitadas, tendo muitas partes improdutivas sendo desperdiçadas, algo que poderia ser usado por outros proprietários para um melhor abastecimento interno regional.
Além disso, as condições climáticas do século XIX se torna um agravante da situação. Graças ao desenvolvimento descontrolado dos setores industriais e exploradores, o clima mundial sofre diversas alterações preocupantes, que vão desde derretimento das calotas polares, enchentes até secas avassaladoras. No tema em questão, essas mudanças desregularam as chuvas e cheias de rios, além de trazerem secas mais intensas, algo que, para pequenos produtores que abastecem regiões mais vulneráveis ao clima, se torna um problema fatal, e leva a escassez de uma grande área e, consequentemente, mais pessoas passando fome.
Por fim, para resolvermos esse problema, é preciso que o Governo Federal invista mais em políticas públicas para o abastecimento dessas populações em estado de vulnerabilidade nesses períodos mais instáveis. Além disso, a implementação de uma reforma agrária seria útil para um melhor aproveitamento das terras improdutivas, podendo ser reestruturadas e se tornarem novos pontos de reabastecimento, e assim evitando que uma escassez se torne tão grave quanto é na nossa realidade atual.