A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 21/08/2021
Em “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, o leitor é introduzido ao universo de uma família no sertão nordestino que encontra muitas dificuldades até mesmo em suprir as necessidades mais básicas, como a alimentação. Em consonância a narrativa desenvolvida pelo autor, a realidade brasileira hoje é tal que muitas pessoas convivem com a situação da fome. A ocorrência desta no século XXI é sem dúvida motivo de vergonha para a sociedade, e, portanto, urge a identificação de seus fatores motivadores assim como o desenvolvimento de soluções para tal absurdo.
Primeiramente, tendo em vista a condição socioeconômica das famílias que passam por dificuldades alimentares, é de extrema pertinência a manutenção e expansão dos programas assistencialistas hoje existentes. Num país que possui uma taxa de desemprego de quase 15% segundo o IBGE, a situação da fome se dá muitas vezes por dificuldades financeiras dentro dos lares. Desta forma, ao oferecer auxílio monetário à população carente, é possível estabelecer um combate direto e eficaz ao problema, como visto no governo Lula, onde o programa Bolsa Família possibilitou a saída do Brasil do Mapa da Fome elaborado pela ONU.
Ademais, no Brasil, uma outra medida que atenuaria o problema existente seria uma reforma na distribuição das terras rurais do território. Tendo em vista que a zona do país que mais sofre do problema da falta de alimentação adequada é a rural, segundo uma pesquisa da Rede PENSSAN, seria uma medida totalmente cabível a desapropriação de terras atualmente improdutivas de grandes proprietários para que se dê lugar a agricultura familiar, assim gerando renda as famílias trabalhadoras bem como aumentando a produção nacional alimentícia.
Logo, conclui-se que a questão da fome no território brasileiro deve ser encarada com ações diretas oriundas dos órgãos públicos federais. São cabíveis a Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc) a manutenção e expansão dos programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família, de modo a dar condições à população carente de ter uma alimentação digna. Essa ação deve ocorrer com verba autorizada pelo Tribunal de Contas da União, e possuir escopo nacional. É de responsabilidade também do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a identificação e a transferência da posse de propriedades rurais improdutivas para trabalhadores rurais sem-terra, de modo a incentivar a produção familiar e a geração de renda nesses núcleos.