A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 21/08/2021

Em “O Auto da Compadecida”, Ariano Suassuna retrata de forma sútil e humorística o drama vivenciado pela população do sertão nordestino. Não obstante da obra de Ariano, está a realidade de milhares de famílias brasileiras, que são trajadas a dolorosa realidade tida como irreal pela elite brasileira. Dentre estes aspectos, é evidente a influência direta de fatores econômicos como a inflação sob o desenvolvimento da fome no país.

Sob uma perspectiva produtiva, a fome já não deveria ser um problema para humanidade, dado que, com o desenvolvimento tecnológico na área agrícola a escassez de alimentos deixou de ser um problema. Logo, se sobressaem os aspectos socioeconômicos como fatores causadores da fome no país, dentre eles, a política inflacionista adotada pelas gestões econômicas.

Nesse sentido, é possível notar as relações entre períodos inflacionários com o aumento de índices de fome. No ano de 2021, após 8 anos fora do mapa da fome, o Brasil voltou a amargar sua posição no mapa que retrata o sofrimento da população mais vulnerável. Coincidentemente, neste mesmo período, o principal índice de inflação, o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo), atingiu 9% nos últimos 12 meses.

Por conseguinte, áreas mais vulneráveis socioeconomicamente como o Maranhão, onde segundo o IBGE, apenas 40% da população passa por dificuldades para se alimentar, experienciam a triste jornada da fome. Fundamentalmente a inflação é um efeito econômico que pune os mais pobres, uma vez que a desvalorização da moeda aprofunda as dificuldades das camadas mais pobres. Fica evidente, portanto, que políticas inflacionistas funcionam como um imposto invisível exclusivo aos pobres, agravando problemas sociais como a fome.

Para mudar essa realidade, se vê necessária a adoção de medidas de responsabilidade fiscal pelo Banco Central, associadas à instauração de programas sociais assistencialistas. Políticas como essas, devem suprir as demandas alimentícias dos mais pobres e estabilizar a economia em nível nacional, concedendo fluxo as mercadorias que geram por si, produtividade econômica.