A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 20/08/2021
Novamente inserido no Mapa da Fome, atualmente, de acordo com o IBGE, 10,3 bilhões de pessoas (não incluindo moradores de rua) passam fome no “país abençoado por Deus, e bonito por natureza”, como diz a famosa canção de Jorge Ben Jor. O atual presidente, disse em seu discurso na Assembléia Geral das Nações Unidas, que os trabalhadores rurais mesmo em um contexto pandêmico, produziram alimentos para um bilhão de pessoas ao redor do mundo. Entretanto, “esqueceu” em sua pronúncia que mesmo sendo o maior exportador de grãos do planeta, milhões de brasileiros estão famintos.
No livro “Vidas Secas”, Fabiano toma uma difícil decisão de sacrificar seu papagaio de estimação, para servir de alimento a sua família. Em paralelo com a realidade brasileira, onde muitos escolhem entre pagar o aluguel ou fazer uma compra no supermercado.
É inegável que existe uma dificuldade de acesso aos alimentos no Brasil, atingindo principalmente mulheres negras chefes de família e com baixa escolaridade. Resultando em piores condições de trabalho, com remunerações extremamente inferiores às de um homem branco.
De acordo com o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, 55,2% da população brasileira sofre alguma ameaça ao acesso de alimentos, 5% das crianças com menos de cinco anos passam fome. Sequelas das causas naturais, como inundações, desastres ambientais e o próprio clima; Como também da má administração dos recursos públicos, “a fome é a consequência de uma série de erros de políticas públicas”, diz Kiko Afonso, diretor da ONG Ação da Cidadania. Ademais, o desperdício de comida se torna mais um agravante para tal problemática, visto que 30% dos alimentos produzidos são descartados no país, segundo o WFP (Programa Mundial de Alimentos).
Em virtude do que foi mencionado, fica explícito que a questão da fome no Brasil não é só uma falha no sistema de saúde pública, bem como no sistema social e econômico. Portanto, é imprescindível que os agentes públicos intervenham e se façam presentes, com ações de transferências de recursos, sejam eles financeiros ou alimentícios. Com Iniciativas emergenciais para auxiliar indivíduos que vivem em situações de insegurança alimentar, como a Fome Zero e o Bolsa Família. Além de obviamente,uma transformação no sistema trabalhista, tornando-o mais justo e igualitário, destarte, dando mais oportunidades de acesso ao alimento, bem como a uma vida mais digna. Adicionalmente, com o apoio e a influência da mídia, podem ser feitos projetos de incentivo ao uso completo dos alimentos, e os reaproveitando em outras receitas culinárias, evitando o desperdício e o descarte de toneladas de comida que poderiam estar alimentando diversas pessoas.