A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 11/08/2021

O livro de Graciliano Ramos relata a vida de uma família sertaneja que sofria pelas fortes secas do Nordeste do Brasil e que, portanto, se encontrou forçada a emigrar de seu local de origem. Concomitantemente, o povo brasileiro também sofre, não pelas secas, mas pela fome excessiva. No entanto, são 20 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar no país, segundo o Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) e não uma família, como na obra. Por conseguinte, delibera-se acerca da questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores.

Em primeiro lugar, é fundamental apontar que há um grave desequilíbrio entre a produção de safras no país e a quantidade de pessoas sem saber o que vão comer no dia seguinte. Mais precisamente, o Governo Bolsonaro, em seu Plano Safra, destinou mais de 200 bilhões de reais para o desenvolvimento da agropecuária, mas apenas 31 bilhões de reais para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), um programa de apoio aos pequenos produtores por meio de geração de postos de trabalho e renda. Tal cenário revela a clara preferência do Estado às commodities para altos lucros nas exportações e sua negligência em relação à distribuição desses produtos para a nutrição da própria população.

Por consequência, o Brasil, que havia saído, em 2014, do Mapa Mundial da Fome, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, entrou novamente em 2020. Nesse contexto, é mister ressaltar a obrigação do Governo Federal, de acordo com a Constituição, de garantir plenamente o direito humano à alimentação. Todavia, esse embargo é existente há séculos, uma vez que nunca houve uma reforma agrária na história da nação e, consequentemente, muitos hectares que poderiam ser utilizados para subsistência de diversas famílias, estão em latifúndios e muitos são inutilizados.

Em síntese, o Brasil possui um fortíssimo potencial para alimentar toda sua população, contudo, ele é  concentrado pelas grandes empresas exportadoras, que são favorecidas pelo Estado. Portanto, é imprescindível que o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), conjuntamente com o Ministério da Agricultura e o Pronaf, realizem juntos uma série de mudanças na agropecuária brasileira por meio de leis e investimentos do cofre público. Como exemplo, a distribuição de terras subutilizadas para criação de módulos rurais, maiores investimentos no mercado interno e melhorias nos auxílios com rendas à população em situação de fome. Desse modo, será possível garantir que as safras possam continuar com seus lucros no comércio internacional ao mesmo tempo que garanta a distribuição justa de alimentos para a população brasileira.