A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 14/08/2021

No ano de 2014, com ajuda da implementação de programas sociais como a Fome Zero, o Brasil saiu do mapa da fome, levantamento feito pela ONU a respeito da carência alimentar global. A fome, é um problema humanitário motivado pela desigualdade social, má distribuição de renda, a seca etc, que decorrente dos efeitos da quarentena, se encontra novamente em situação de emergência. Agravada durante a pandemia, a problemática é relacionada a falta e a má aplicação de políticas públicas que deveriam auxiliar vulneráveis, resultando assim em pessoas perdendo sua dignidade para adquirir um direito básico.

No período pós-Segunda Guerra Mundial, foi apresentado a Declaração Universal dos Direitos Humanos, responsável por reunir direitos humanos básicos, sendo um deles, uma alimentação adequada. No cenário brasileiro, foi adotado uma emenda na Constituição, como um direito social, sendo assim, dever do Estado garantir a alimentação da população. Entretanto, mais de 116 milhões de pessoas se encontram em situação de insegurança alimentar, segundo dados de 2020 da Rede Penssan, representando quase metade da população brasileira que não possui seu direito garantido. O programa Fome Zero e o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), foram desconstruídos nos últimos anos, ferramentas que eram essenciais para o combate da fome, que paralelamente à pandemia agravou a situação. Sem investimento e políticas públicas claras, pessoas em vulnerabilidade dependem de ações sociais para obter a chance de adquirir comida.

Além disso, o curta-metragem “Ilha das flores”, fala sobre o local Ilha das Flores, localizado perto de Porto Alegre utilizado como um depósito de lixo. Um criador utiliza desta matéria orgânica para a alimentação dos porcos, somente após isso fica disponível para o consumo da população que necessita destes restos de lixo para se sustentar. Alimentos estes que podem ser origens de doenças, como leptospirose, poliomielite, entre outras, além de não serem alimentos adequados para consumo. Demonstrando assim, o quanto o ser humano precisa se rebaixar e até mesmo perder sua dignidade para conseguir sobreviver.

Dessa maneira, para que a situação se reverta é necessário que o Estado implemente programas, que possuem como objetivo a segurança alimentar e o apoio para a geração da própria renda, para que diminua a insegurança alimentar e futuramente esta população consiga garantir seu próprio sustento. Para gerar capital para os programas, pode-se utilizar uma parcela dos altos impostos embutidos nos alimentos, assim obtendo uma mínima melhora na distribuição de renda.