A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 15/08/2021
Hoje, no Brasil, mais de 7 milhões de pessoas convivem com a fome, segundo o IBGE. Isto se dá, em suma, pela forma na qual o capitalismo se desenvolveu no Brasil e na América Latina como um todo, tornando o grupo dependente das economias centrais, para onde são direcionadas as produções pecuárias e agropecuárias. Concomitantemente, devido ao modelo de produção, que ficou a cargo da burguesia agrária, tornou-se real as problemáticas relacionadas à distribuição de terras e formação de latifúndios.
A culpa desse desenvolvimento problemático do capitalismo brasileiro, está repartida entre a burguesia nacional e o imperialismo das economias centrais. Como desenvolve Ruy Mauro Marini em “Subdesenvolvimento e Revolução”, o fracasso da burguesia nacional em desenvolver autonomia quanto a indústria, tornou o Brasil refém do capital exterior, que concentrara toda a sua força na indústria de base extrativista. Transformando o Brasil em um território dominado pelos grandes latifúndios, nas mãos de poucos, e que atende somente a demanda externa.
O produto desse processo de dependência econômico-industrial é sentido até os dias de hoje, e foi materializado na conjuntura produtiva atual. O Brasil ocupa o 1* lugar na exportação de carne bovina, e o 4* lugar na exportação de soja, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), enquanto mais de 7 milhões de pessoas convivem com a fome, segundo dados estatísticos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É importante salientar que o problema incide principalmente nas zonas rurais, onde o latifúndio atua precarizando a mão-de-obra e destituindo as terras de pequenos produtores. São 6,3% da população rural em estado alimentar preocupante.
Tendo em vista que o cerne do problema está na própria distribuição de terras para o latifúndio voltado para exportação, fica claro que a solução está contida em uma reforma no que diz respeito à propriedade de terras. Deve ocorrer a chamada “reforma agrária”, elencada pelo poder executivo e auxiliada por órgãos de autoridade no assunto, como o MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra), e que visa justamente redistribuir as terras produtivas em território nacional.
A consequência da Reforma Agrária aparece imediatamente no volume produzido para a demanda interna de alimentos, uma vez que aproximadamente 70% da agricultura familiar, ou seja: do pequeno produtor, está voltada exclusivamente para o mercado consumidor interno. Então somente a restituição das terras desses pequenos produtores deve suprir: tanto da mão-de-obra de cunho rural, como também a demanda por produtos de base agrária alimentícia.