A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 12/08/2021
A Constituição Brasileira de 1988 garante legalmente o direito de todo cidadão de acesso à saúde pública e de qualidade. Todavia, essa não é a realidade de relevante parcela da população, que vive um contexto de fome atrelada a diversas doenças, como o raquitismo, causado pela subnutrição. Nesse sentido, essa questão tem como fatores motivadores a falta de investimento estatal e o falta de consciência social da industria agropecuária.
Por certo, o papel do Estado na garantia da segurança alimentar é central e encontra-se em uma crise de negligência. Sob esse viés, a obra “Torto Arado”, de Itamar Vieria Junior, trata do cotidiano da família das irmãs Belonisia e Bibiana na Fazenda Água Negra; na qual, durante um período, enfrenta uma situação de seca, que influi diretamente em um contexto de fome na casa das meninas. Em conformidade com o livro, cenários como esses estão no dia-a-dia de milhares de brasileiros, visto que, segundo uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2014, mais de 7 milhões de pessoas vivenciam a fome diariamente. Essa questão evidencia o insuficiente investimento estatal, que não dá apoio a residências como a de Belonisia, que penam em sobreviver em meio a dificil obtenção de alimentos, gerando impactos diretos na saúde de seus habitantes.
Além disso, a crescente tendência do pensamento individualista do agronegócio impede que o problema da fome seja erradicado. Nessa perspectiva, durante o passado colonial brasileiro, predominava o sistema de plantation; modelo agrícola de grande escala, que visava majoritariamente os lucros com a exportação. Analogamente, mesmo em tempos modernos, essa sistematização se manteve, visto que o agronegócio tem prioridade para cultural lucrativas no mercado internacional; fator tal que provoca a elevação de preços para consumo interno em detrimento do acesso a alimentação pela população de baixa renda.
Em virtude dos argumentos supracitados, faz-se clara a necessidade de combater a questão da fome no Brasil. Portanto, urge que o governo federal em parceria com o Ministério da Saúde articulem planos de investimento na área da saúde que, por meio de projetos de distribuição de alimento financiados pelo Estado, possam ampliar a seguridade alimentar, tendo impactos diretos da redução de doenças provocadas pela subnutrição e melhorando de globalmente a qualidade de vidas dessas pessoas. Com essas ações, espera-se que situações como da família de Bibiana sejam cada vez menos frequentes, conforme o direito constitucional à saúde.