A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 16/08/2021

No filme “O poço”, ao demonstrar a fartura de alimentos nos primeiros níveis e a escassez desses nas camadas mais inferiores de uma prisão dividida verticalmente, retrata a desigualdade social que gera a fome. Analogamente, a questão da fome é uma realidade dura enfrentada por grande parte dos brasileiros. Com isso, faz-se necessário observar a maneira de distribuição e os desperdícios cometidos pela sociedade.

A princípio, vale ressaltar a desigualdade na distribuição de renda vivenciada pelos brasileiros. Nesse sentido, segundo o UOL, cerca de 28 milhões de pessoas vivem com até um salário mínimo. Seguindo as características do modelo agroexportador, a população vive com os alimentos produzidos pela agricultura familiar, o que encarece os produtos básicos como feijão e arroz, deixando boa parte da sociedade sem poder aquisitivo suficiente para garantir o mínimo dando margem, assim, para a fome.

Ademais, faz-se necessário voltar os olhos ao desperdício cometido por aqueles que têm muito. Nesse viés, a Campanha da Fraternidade, feita anualmente pelas igrejas católicas, de 1995, retratou o tema: “Pão para quem tem fome”, evidenciando o desperdício. Outrossim, é notório a produção exacerbada de refeição por família, o que acabam não consumindo e ao invés de reutilizar para produzir algo, acabam jogando no lixo. Tal cultura é enraizada pela mídia que prega a necessidade de sempre se consumir coisas novas e diferentes.

Entende-se, portanto, que a fome é um dilema e precisa ser combatida. Para isso, a mídia deve criar campanhas publicitárias nas redes sociais para combater o desperdício e ensinar receitas para a reutilização de alimentos que não forem consumidos. Além disso, o Ministério da Cidadania deve garantir um vale alimentação a todos os indivíduos que não possuírem renda maior que 1,5 salário mínimo, com a finalidade de saciar essa população e garantir o mínimo dos direitos defendidos pela Campanha da Fraternidade.