A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 30/08/2021

Ao considerar o atual contexto da pandemia do COVID-19, imerso em crises políticas, sanitária e econômica, o Brasil retornou mais uma vez a sua infeliz condição de “país da fome”. Problema este que não está atrelado à escassez de alimentos produzidos em território nacional, mas sim pelo aumento desenfreado da exportação pelo agronegócio e a redução dos gastos públicos para desenvolvimento dos pequenos produtores rurais.

Primeiramente, em relação ao crescimento do montante destinado às exportações, análises feitas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que entre os meses de junho de 2020 e o mesmo mês de 2021 houve acréscimo de 20% da arrecadação pelo agronegócio com as vendas para o exterior. De forma sintetizada, com a desvalorização do real em relação ao dólar norte-americano, a venda para o mercado externo se tornou bastante lucrativa. Assim, maior volume de insumos passou a ser escoado para o mercado internacional, em detrimento do abastecimento interno, o que gerou aumento expressivo dos preços dos alimentos. Dessa maneira, é possível compreender que os insumos são, de fato, produzidos em larga escala no Brasil, porém sem priorizar o abastecimento nacional.

Em segundo, outro fator que corrobora para o agravamento da fome em todo país é a redução dos subsídios governamentais oferecidos ao pequeno produtor rural. Voltado para o abastecimento interno do país e responsável por garantir variedade na alimentação de milhares de brasileiros por meio da pluricultura, a agricultura familiar teve seus incentivos cortados pelo governo, limitado a apenas 14% dos investimentos disponíveis para a agricultura, segundo o Instituto Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este fato impactou negativamente o provimento interno provocando a elevação do preço dos insumos e alastrando a fome.

Para concluir, a fim de minimizar a fome dos brasileiros, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento deve tomar medidas de forma a limitar o montante destinado à exportação, priorizando o abastecimento interno, de forma a evitar o inflacionamento dos preços dos alimentos aos brasileiros. Além disso, o mesmo órgão também deve retomar os incentivos à agricultura familiar e oferecer maiores créditos a juros baixos para que o pequeno produtor possa investir em tecnologias e demais recursos necessários em sua produção destinada ao melhor provimento do mercado interno. Possibilitando, dessa maneira, maior poder de compra aos brasileiros dos alimentos disponíveis.