A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 20/08/2021
Segundo o filósofo John Rawls, em sua obra “Uma Teoria da Justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores, promovendo uma igualdade de oportunidades a todos os cidadãos e o acesso a uma vida digna. Sob essa óptica, torna-se evidente que o Brasil não é um exemplo dessa ética do pensador inglês. Já que infelizmente possui parcela exacerbada da população em situação de insegurança alimentar grave, não sabendo se terá alguma refeição no dia. Sendo que, o capitalismo faz-se como uma das principais causas do fenômeno, tanto contribuindo pra desigualdade social, quanto ao fato de que grande parte do agronegócio é voltado para exportação, assim, não abastecendo a mesa do povo brasileiro.
É evidente que o problema da fome está diretamente relacionado à desigualdade de renda. Conforme apuração de 2020 do IBGE, no estado do Maranhão, apenas cerca de 40% dos habitantes não estão em situação de insegurança alimentar. E, o sistema capitalista da sociedade atual contribui fortemente para tal, já que seu principal objetivo é a obtenção de lucro. Desta forma, aqueles que já são ricos buscam ainda mais riquezas, aumentando mais a discrepância entre as classes sociais. Prova disso são os dados do Relatório de Desenvolvimento Humano, que apontam que o Brasil é o décimo país mais desigual do mundo. Enquanto uns não têm condições de colocar um prato de comida para servir sua família, outros esbanjam pertences e luxo. Essa é a triste realidade do país.
Outrossim, segundo relatórios do USDA (tradução do inglês de Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a República Federativa do Brasil está entre os onze maiores produtores agrícolas do mundo. No entanto, 70% dos alimentos consumidos pelos cidadãos brasileiros são fruto da agricultura familiar. Ou seja, em vez de destinar a produção agrícola à população do país, as gigantes empresas do agronegócio preferem exportar tais produtos. Pois, por consequência do ideal capitalista e a incessante busca por lucro, se torna mais vantajoso – no caráter econômico – vender para outros povos do que alimentar o próprio.
Percebe-se, então, que cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em conjunto ao Ministério da Economia, uma administração mais adequada dos bens alimentícios produzidos no território, voltando-os à distribuição e abastecimento interno do país. Dessa forma, auxiliando o povo no combate à fome. Ademais, para garantir a segurança alimentar de todos, é função do Ministério da Cidadania a adoção de políticas públicas para assegurar o acesso à nutrição adequada para as comunidades mais longínquas e carentes. Pois, garantida pela própria Constituição Federal, a alimentação adequada é direito fundamental do ser humano.