A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 31/08/2021

Segundo o rapper mineiro Djonga, na música “Procuro Alguém”, “arroz, feijão e carinho é o prato do povo”. O trecho da canção revela a importância da alimentação no cotidiano da população brasileira. Entretanto, o básico da rotina alimentar, como o arroz e o feijão, não é garantido para todos os brasileiros, visto que o preço dos alimentos, somado à negligência estatal em relação ao assunto, colaboram para que a fome persista no Brasil. Assim, cabe ao governo e a sociedade se unirem para analisar a questão, a fim de revertê-la.

Dito isso, deve-se afirmar que o valor dos alimentos não atende a maioria. Diante disso, o aumento dos

preços no setor alimentício, principalmente devido a pandemia de Covid-19, iniciada em 2020, na qual a crise sanitária interferiu na economia, de modo que o índice de desempregos foi insensificado, contribuiu para que as pessoas tivessem mais dificuldade em comprar alimentos. Dessa maneira, evidenciou-se o quadro de insegurança alimentar no Brasil, o que gera um número maior de indivíduos que não possuem condições de reproduzir uma alimentação balanceada e saudável e, consequentemente, há uma piora na saúde da população, que fica mais vulnerável a doenças, por exemplo, por não se alimentar de forma sadia. Assim, esse cenário contraria o artigo 196 da Constituição Federal -lei máxima do país-, que garante o direito à saúde a todos.

Ademais, é válido destacar que o Estado é negligente quanto à questão da fome no país. Nesse contexto, mesmo que mais da metade da população viva em insegurança alimentar, de acordo com a revista Radis, a fome é pouco debatida entre os brasileiros, o que reduz as atividades práticas para minimizar a situação no país. Desse modo, o livro “Becos da Memória”, da escritora brasileira Conceição Evaristo, retrata a invisibilidade da população periférica, que é negligenciada nas ações governamentais. Semelhante à obra, a fome, que atinge intensamente o povo residente na periferia, majoritariamente marginalizado, não é encarada pelo Estado com a devida importância e urgência, o que revela uma postura indiferente em relação à pauta.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de minimizar a insegurança alimentar no Brasil. Para isso, é fundamental a mídia, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio de propagandas, aborde a problemática da insegurança alimentar e os efeitos à saúde da população, que sejam transmitidas em horário nobre, a fim de que o assunto ganhe visibilidade e deixe de ser negligenciado. Além disso, é importante que as escolas- públicas e privadas-, por meio de programas voluntários, arrecadem alimentos com os alunos, para que a prática da doação seja exercitada e mais pessoas sejam beneficiadas.