A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 16/08/2021

De acordo com o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, o Brasil produziu, nos últimos anos, alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas no mundo. Poucos dias antes, porém, o IBGE divulgou que quase 20 milhões de brasileiros vivem em situação de insegurança alimentar grave, ou seja, literalmente passam fome. Com efeito, percebe-se uma grave falta de coerência no contexto brasileiro atual: Como é possível ser produtor de tanto alimento e continuar com o problema da fome? Nesse sentido, tal problema no Brasil possui como principais motivadores a má distribuição de alimentos e a insuficiência da legislação na garantia do bem-estar social

Convém ressaltar, a princípio, que a fome encontra terra fértil na desigualdade alimentar. Por essa lógica, com a Revolução Verde foi possível introduzir as tecnologias e práticas das industrias nos meios rurais e, assim, aumentar a produção de alimentos. Entretanto, a superprodução de alimentos ocorrida após a Revolução Verde não extinguiu o problema da fome no Brasil, visto que o problema real é a má distribuição deles. Segundo dados da FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, 1/4 do que é desperdiçado conseguiria alimentar a população que passa fome. Dessa maneira, percebe-se que enquanto alguns possuem comida ao ponto de terem problemas com obesidade e com desperdício, outros não possuem nem o básico para sobreviver.

Ademais, vale ressaltar também que a negligência do Estado de assegurar os direitos constituídos por lei contribui fortemente para a persistência da fome no Brasil. Sob esse viés, a Constituição Federa de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere aos altos índices de fome, uma vez que, apesar de estar no topo de produção de alimentos, parte da população não possuem os recursos financeiros para comprá-los. Dessa forma - com a falta de capital nos bolsos e com alimentos inflados de impostos - 20 milhões de brasileiros lutam a cada dia para sobreviverem.

Logo, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, as prefeituras de cada cidade, juntamente com os órgãos jurídicos, devem criar incentivos e projetos para que restaurantes, bares, lares e supermercados possam melhorar a destinação de alimentos que antes iriam para o lixo, como, por exemplo, na criação de cestas básicas para pessoas em situação de insegurança alimentar grave. Além disso, tais projetos devem ser compartilhado nas redes sociais e programas de televisão, a fim de que mais pessoas possam ajudar no combate à fome. Assim, o Estado cumprirá a nossa lei básica e melhorará o bem-estar social dos brasilerios.