A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 17/08/2021

De acordo com o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, desenvolvido pela Rede PENSSAN, no Brasil, atualmente, 19,1 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar grave. Contraditoriamente, a indústria alimentícia brasileira alimenta 800 milhões de pessoas e cresce como nunca, de acordo com a Embrapa. Essa incongruência se deve a alguns fatores, sendo os mais relevantes: a notável desigualdade social no Brasil e o descaso governamental em relação ao problema. A desigualdade no Brasil é uma herança da história do país, com origens na colonização, com a tomada das terras indígenas. Agravada pela excravidão de negros e nativos e pela `abolição´ da excravatura, que não ofereceu nenhum apoio aos excravos libertos. Todos esses fatores acarretaram a situação atual do Brasil, com uma gritante desigualdade social, em que o 1% mais rico detém 49,6% da riqueza total do país. Com isso pode-se concluir que o problema da distribuição de alimento supracitado tem suas raízes na desigualdade estrutural do Brasil. As políticas de combate à fome no Brasil não são efetivas o suficiente para lidar com o problema, vide os dados apresentados acima. Porém, o Brasil é uma das maiores economias do mundo, e tem capital para lidar com o problema mais eficientemente. Como disse a economista Tereza Campello, professora visitante da FSP da USP: “Embora seja relevante para combater a fome no Brasil, o assistencialismo não substitui as políticas públicas, uma vez que a insegurança alimentar é um problema estrutural e não momentâneo”. Portanto, as políticas públicas devem tratar o problema da fome com medidas que auxiliem na situação econômica do povo no geral, como aumento do salário mínimo e geração de empregos formais. Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver o problema da insegurança alimentar. O Governo Federal deve aprovar medidas para combater a desigualdade no país, promovendo a cota de vagas a pessoas negras e mulheres, com o objetivo de diminuir a diferença de salário e empregos entre as raças e os gêneros. Além disso, é necessário que o Senado aprove políticas públicas para amenizar o problema da pobreza e da informalidade, com medidas como o aumento do salário mínimo e a geração de empregos formais. Somente assim, a discrepância entre a produção de alimento e a taxa de fome se tornará menor e o povo não passará mais por situações de insegurança alimentar.