A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 21/08/2021
Na clássica obra literária “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, é exibida a triste e desnutrida infância do personagem Chicó em meio a sua pobre realidade nordestina. Analogamente, o Brasil, apesar de arregimentar uma enorme produção agrícola, permanece no pódio da fome quando comparado aos demais paises em números absolutos de vítimas, especialmente pelo índice de mortalidade infantil vigente. Com isso, a problematização ocorre tanto pela concentração fundiária das terras férteis quanto pelo desemprego generalizado, levando a uma disparidade preocupante do acesso a alimentação.
Primeiramente, a concentração fundiária nacional é um impecilho sócio-econômico historicamente elaborado desde a colonização. Com o advento das capitanias hereditárias e, posteriormente, a promulgação da Lei de Terras, os latifúndios passaram a representar uma siginificativa parcela do território agrícola empossado por poucos que o herdam até hoje. Outrossim, a condição produtiva desses espaços tem se mostrado insuficiente para a demanda interna da população, principalmente ao considerar que 70% do consumo é oriundo da agricultura familiar (segundo dados de 2020 do IBGE), um tipo de agricultura quase inexistente nesses terrenos. Assim, os grandes lotes de terras acabam sendo usados majoritariamente com o fito econômico, ou seja, voltados para exportação.
Ademais, a débil condição econômica unida ao desemprego estrutural tem demonstrado seus impactos na distribuição de renda da nação. Ainda que o direito a alimentação conste na Declaração Universal dos Direitos Humanos, assim como na própria constituição brasileira, a crescente automatização dos serviços formais tem tornado escasso os postos de trabalho e, consquentemente, dificultado a compra de recursos básicos. Segundo o diretor da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) José da Silva, o desemprego generalizado em quase todas as camadas sociais pode intensificar a subnutrição já evidente e, portanto, recolocar no mapa da fome.
Dessa forma, a fome no país tem sido fortemente motivada por esses fatores, sendo mandatório um contra-ataque imediato a essa chaga social que assola o povo tupiniquim há séculos. Faz-se necessário, por parte do Ministério da Saúde, em parcerias de ONGs, a elaboração de programas assistenciais que garantam uma segurança alimentar favorável aos mais debilitados, assim como o estabelecimento de uma renda básica universal aos desempregados a partir de taxações a empresas com grande contingente robótico. Além disso, é essencial o planejamento de uma reforma agrária efetiva que garanta aos pequenos agricultores uma margem proporcional das terras já monopolizadas. Desse modo, a fome poderá ser erradicada, em longo prazo, na sociedade como um todo.