A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 23/08/2021
De acordo com a teoria Malthusiana, do economista britânico Thomas Malthus, o crescimento populacional superaria a oferta de alimentos, gerando fome e miséria. Nesse sentido, é correto afirmar que ele errou em suas previsões, ao contrário do que pensava a revolução industrial impulsionou também a capacidade agrícola e consequentemente a produção em massa de comida. Sob essa lógica, a questão da fome no Brasil, não se relaciona a escassez e sim a má distribuição dos produtos alimentícios, sendo assim, um dilema estrutural de forma que a sua persistência está atrelada a desatenção e a falta de projetos e planos de resolução ou redução.
Inicialmente, levando em conta que a falta de alimento não é o problema em si e na verdade é o dinheiro, ou melhor, a falta dele, já que, precisasse dele para comprar todo tipo de coisa, especialmente comida, entende-se que a relação é estrutural. Nesse viés, o livro, “Ponciá Vicêncio”, de Conceição Evaristo, através de uma narrativa intimista retrata o dia a dia de todo um povo que sofre, preso às condições de escassez em que nasceram, mais do que o caráter de denúncia social a obra evidência o contexto da fome diretamente ligada a pobreza. Do mesmo ponto de vista, pode-se concluir que a partir dos inúmeros brasileiros que se veem nessas situações de desigualdade, desamparo e falta de perspectivas, os fatores motivadores só continuarão a ganhar forças, em consequência a fome nunca chegaria perto de ser resolvida.
Além disso, no Brasil existe um recorrente descaso em relação aos impasses da superação do problema tanto por parte do governo quanto por parte das pessoas cujas realidades são diferentes, consoante a isso, não é um assunto que costuma ser recorrente nos debates e nas pautas políticas, visto que, aparenta ser um tema distante da realidade da maioria. Atrelado a isso, não só se discute pouco, como menos ainda fala-se sobre a criação de projetos em que o principal objetivo é a questão da fome. Por exemplo, o Bolsa Família criado em 2003, embora tenha ajudado a muitos, é um projeto com plano de fundo populista e sem reais concepções de resolução a longo prazo, de maneira análoga esse é o principal defeito das poucas ideias atuais, são muito imediatistas, por mais que muito necessárias, é preciso criar um plano para o futuro.
Em resumo, para que os fatores motivadores da fome sejam reduzidos, certas medidas são essenciais. Portanto, cabe ao Poder Executivo, investir na educação de base, e por meio do Ministério da Cidadania, garantir a alimentação dos alunos. Assim, promovendo um aumento na escolaridade, logo a longo prazo com o desemprego e pobreza caindo, a fome também será reduzida. Da mesma forma, cabe ao corpo social levar cada vez mais à debate esse tema.