A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 17/08/2021
O filme “O Poço”, de Galder Urrutia, é uma metáfora à desigualdade social, referindo-se à destoante quantidade de comida que cada classe social pode usufruir, monstrando, acima de tudo, a falta de empatia dos privilegiados pelos mais humildes. Bem como nesta ficção, a realidade brasileira assemelha-se em muitos aspectos, principalmente ao analisar a questão da fome no país, motivada pela desigualdade social e falta de suporte aos produtores agrícolas. Nessa perspectiva, medidas devem ser tomadas para mitigar esse impasse.
Sob esse viés, cabe apontar a distinção social como motivadora para a questão da fome no Brasil. Com base no economista Thomas Malthus, o crescimento populacional excede a produção agrícola, o que justifica a fome no mundo. Conquanto, através de pesquisas sociais, comprova-se que a fala de Malthus está equivocada. Pois, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produz alimentos mais que suficientes para a sua população inteira. No entanto, a camada mais pobre da sociedade não tem poder aquisitivo para comprar tais víveres, que estão cada vez mais caros nos mercados e feiras.
Outrossim, vale ressaltar a falta de suporte dado aos produtores agrícolas. Segundo o IBGE, cerca de 25% dos brasileiros que passam fome estão nas áreas rurais. Desse modo, percebe-se, até mesmo, incoerência na distribuição alimentícia no país, uma vez que o próprio produtor não tem o que comer. Ademais, conforme o filósofo contratualista, John Locke, o Estado deve garantir o bem-estar social de sua população. Todavia, ao analisar a falta de interferência estatal no não direcionamente de vitualhas a mais de 2 milhões de brasileiros, percebe-se a falta de comprometimento governamental com a sua população.
Portanto, é imprescendível que o governo, alinhado ao Ministério da Agricultura, forneça incentivos fiscais às grandes empresas agrícolas, para que essas consigam baratear o fornecimento de víveres aos mercados e feiras, fazendo com que os mais humildes tenham condições de se alimentarem. Além disso, a interferência governamental nas empresas que não distribuem parcela do seu cultivo aos seus agricultores e às populações aos arredores das culturas, para que essas passem a fazer isso e amenize a situação na zona rural. Assim, a questão da fome no Brasil será amenizada, e a desigual distribuição alimentícia brasileira não será mais comparada a do filme “O Poço”.