A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 30/08/2021
No livro Geografia da Fome, o autor Josué de Castro derrubou muitos argumentos, que culpavam as influências climáticas e a improdutividade da populção por ócio, sobre a falta de comida nas mesas de muitos brasileiros. Logo, esse médico e sociólogo, buscou por evidências científicas que as causas da fome estavam ligadas a questões políticas. Portanto, o investimento maior para o agronegócio e a desigualdade social, são dois princípais motivadores dessa antiga contrariedade no país.
O primeiro contexto, é o desequilíbrio na distribuição desses suprimentos entre os locais destinados. Isso ocorre, pois, o Brasil é um país que orienta sua produção para commodities e não para a alimentação, é o que explica o pesquisador Paulo Petersen do ANA (Núcleo Executivo da Articulação Nacional de Agroecologia). Nesse processo, a produtividade é feita em larga escala, porém é vantajoso para ecônomia porque são matérias primas que podem ser estocadas sem perder a qualidade. Dessa maneira, muitas delas são voltadas para a exportação e para a indústria, deixando o cosumo alimentício humano em último plano. Portanto, em vista disso, muitos alimentos que poderiam ser aproveitados para resolver a fome no país são utilizadas para fins econômicos.
Na segunda situação da escassez nutricional, é muito comum cidadãos encontrarem-se em níveis de insegurança alimentar de moderado até grave, devido à falta de oportunidade de renda e alimentação de qualidade. No livro “O Quinze”, de Rachel de Queiroz, o personagem Chico Bento vive um momento de forte crise alimentar acentuado pela seca no Nordeste, uma vez que este está desempregado, pecisa mudar para Fortaleza junto de sua família para buscar novas oportunidades. No desenrolar da trama, estes padecem de fome na estrada, e após chegarem na capital cearense não são bem acolhidos pelo governo. Assim, a história é um reflexo de muitos brasileiros que buscam melhores condições e não conseguem, em virtude da falta de políticas públicas que possam assistir os mais necessitados.
Em suma, diante destas dificuldades que impossibilitam o acesso do brasileiro a uma alimentação digna, é imporante que haja propostas que venham diminuir tais agravos para a sociedade. Em primeiro lugar, o Ministério da Agricultura precisa repensar as estratégias de como é realizada a distribuição de alimentos, diminuindo a quantidade de alimentos destinados a exportação e induzindo boa parte para o consumo interno por meio de incentivos fiscais eficientes. Em segundo lugar, para gerar mais acessibilidade as populações vulneráveis, é preciso que o Estado crie políticas de apoio econômico-social a fim de possibilitar chance ao mercado de trabalho e acesso à alimentação por meio de programas que distribuam renda auxíliar e qualificação. Assim, poderemos dar o primeiro passo para vencer os males da negligência e da fome em nosso país.