A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 30/08/2021

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, do clássico livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, a má distribuição alimentar deixa o país ainda mais distante do imaginado pelo sonhador personagem. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da negligência estatal e do silenciamento midiático.

A priori, vale ressaltar a ausência de compromisso do Estado com a fome da população. Segundo uma pesquisa disponibilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 7 milhões de pessoas convivem com a fome no Brasil. De certo, a falta de incentivos em programas sociais é a realidade enfrentada no país, resultando nos diagnósticos tardios e na própria exclusão de uma parcela significativa da sociedade. Segundo o filósofo John Rawls, em sua obra “Uma teoria da justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores públicos, promovendo uma igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. Sob essa óptica, torna-se evidente que o Brasil não é um exemplo do pensamento desse teórico, visto que negligencia uma necessidade básica como a alimentação com seus cidadãos necessitados, submetendo-os à periferia da cidadania.

Ademais, a questão encontra forma de expansão na mídia. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser mecanismo de democracia não deve ser convertido em instrumento de opressão. Nesse viés, é possível notar que a mídia, geralmente, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da conjuntura social, colabora para a propagação do problema, visto que a omissão dos meios de comunicação acerca da fome no Brasil, as altas taxas e os meios para ajudar pessoas nessa condição como ONGs e doações ocasiona a falta de conhecimento da sociedade a respeito dessa problemática, dificultando sua erradicação. Assim, a mídia perpetua essa triste realidade.

Portanto, é necessário que o Estado tome medidas para mitigar o quadro. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com profissionais especialistas nessa área, com o objetivo de mostrar as reais consequências da fome, apresentar a visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, o governo federal deve reforçar os programas sociais que deem um auxílio na alimentação. Desse modo, uma teoria da justiça de John Ralws será devidamente aplicada.