A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 18/08/2021

De acordo com o Artigo 25° da Declaração Universal dos Direitos Humanos, toda pessoa tem direito a uma qualidade de vida suficiente que lhe assegura sua própria alimentação, assim como a de sua família. Porém, adversamente ao artigo citado, vê-se que, no Brasil, uma considerável parcela da população se encontra em um meio de extrema pobreza, onde o acesso a comida se mostra escasso. Tal cenário nefasto se deve à falta de mobilidade social presente no país, em consonância com a falta de oportunidade de emprego que muitos enfrentam.

Em primeira análise, vale analisar os dados expostos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em que o Brasil é, entre 30 países emergentes, o segundo pior em mobilidade social. Nesse viés, pode-se inferir que a situação de fome e pobreza tende a ser perpetuada entre gerações, uma vez que a possibilidade de ascensão se torna altamente dissociada a aptidões alheias. Portanto, torna-se cristalino que o Brasil apresenta características de uma sociedade estamental, onde a saída de uma situação precária se torna uma tarefa árdua.

Em segunda análise, de acordo com o IBGE, 3 em 10 brasileiros sofrem pela falta de oportunidade de aquisição de um emprego. Sob essa ótica, evidencia-se que, ao serem incapazes de gerar renda, diversas famílias são incapazes de prover a qualidade de vida postulada na Declaração Universal dos Direitos Humanos ao analisar que o lucro se torna insuficiente para prover comida com segurança. Portanto, fica evidente que a falta de oportunidade no setor trabalhista contribui para a perpetuação do cenário supracitado.

Diante do exposto, faz-se imperiosa a mitigação do impasse pelo Estado. A fim de reduzir a escassez alimentar no Brasil, no viés de preparar a população para um mercado qualificado que gere renda, é mister que o Ministério da Educação, junto ao Ministério do Trabalho, por meio de um programa educacional presente em múltiplas instituições de ensino estatais, subsidiem o alimento diário de indivíduos em situação precária, em adição ao oferecimento de cursos qualificantes para o mercado de trabalho. Essa prática deve ser acompanhada do “feedback” desse programa pela população, com a finalidade de averiguar se todos os necessitados têm acesso à iniciativa. Somente assim, tornar-se-á possível a consolidação de uma plena república democrática de direito.