A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 23/08/2021

No poema “Silêncio”, Mário Quintana reflete sobre um silêncio que está sempre à escuta. Diante disso, observa-se que a fome, existente no Brasil desde o início da colonização, é ocasionada por diversos fatores enraizados na sociedade, os quais, mesmo silenciados pela negligência de muitos, estão sempre à escuta por um mundo sedento de voz. Nesse sentido, é inegável que a desigualdade social e a falta de empatia são os principais responsáveis ​​para o crescimento da fome no país.

Em primeira instância, a má distribuição de renda é um dos principais motivos que impedem a democratização do acesso à alimentação. Diante desse cenário, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), em mais de 2 milhões de residências brasileiras, pelo menos um indivíduo convive com fome durante um dia em decorrência da falta de dinheiro para a compra de comida. Sob esse viés, note-se que as camadas mais baixas da sociedade são as mais afetadas por tal situação, visto que os alimentos básicos encontram-se com preços muito elevados e desproporcionais à renda mensal dessas famílias. Dessa forma, números de brasileiros encontram-se desamparados e sem expectativa de melhora, dado que a igualdade social está cada vez mais distante da realidade do país.

Ademais, a falta de compaixão e negligência governamental e social são responsáveis ​​para que a situação de fome não mude no Brasil. Sob tal ótica, na obra “O Contrato Social”, escrita por Rousseau, o filósofo defende que o Estado tem o compromisso de prover as condições necessárias para a preservação da vida e evolução da sociedade. Entretanto, é notório que, nem o Estado e nem a sociedade, contribuem para a distribuição de alimentos aos necessitados, posto que muitos são ignorados ao pedirem comida na ruas. Desse modo, percebe-se que, mesmo com o imenso desperdício de alimento existente em alguns lares da sociedade alta, não há uma mobilização efetiva por parte de muitos para a mudança da situação de fome vivida no Brasil.

Em síntese, o desequilíbrio econômico e a indiferença do governo e sociedade perante a fome, são estigmas que contribuem para o aumento dos índices de cidadãos em nível grave de insegurança alimentar. À luz disso, medidas como a criação de um projeto “fome zero” devem ser executadas pelo Ministério da Cidadania, aliado às Faculdades Federais de cada Estado, em especial, aos estudantes do curso de Nutrição, com o intuito de arrecadar alimentos saudáveis ​​e nutritivos com o intuito de serem distribuídas para todos os cidadãos de baixa renda familiar. Dessa maneira, será dada voz para o silêncio devastador que clama dentro de mais de 7 milhões de brasileiros, o que contribuirá para a diminuição da desigualdade alimentar no Brasil.