A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 30/08/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6°, o direto a alimentação como inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, isso não é aplicado na realidade, uma vez que a desigualdade social e a concentração fundiária criam a questão da fome no Brasil. Desse modo, é fundamental a analisar esses fatores para resolver tal problemática.
Pode-se destacar, a princípio, a contradição entre produção e disponibilidade. Nesse contexto, de acordo com o IBGE, mais da metade das áreas produtivas no Brasil são ocupadas por apenas 1% dos proprietários de terra. Diante disso, observa-se a permanência de raízes coloniais dos grandes latifúndios, ou seja, grandes terras de monocultura para exportação. Consequentemente, o agronegócio produz alimentos suficientes, mas boa parte deles são destinados ao exterior.
Ademais, deve-se ressaltar a má distribuição de renda. Nesse contexto, o índice de Gini, usado para calcular o grau de concentração de renda em um país, mostra que o Brasil está entre os 10 países mais desiguais do mundo. Isso explica as barreiras financeiras que resultam na fome de milhões de brasileiros. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Entende-se, portanto, a importância de medidas nesse âmbito. Logo, o Estado, como garantidor dos direitos individuais, deve aprimorar a distribuição alimentar, por meio de investimentos em pequenas e médias policulturas e de uma adequada reforma agrária, a fim de que a produção nacional seja mais direcionada para consumo interno. Além disso, é importante realizar políticas para diminuir a desigualdade social, para que todos tenham acesso aos alimentos. Assim, com o cumprimento da Constituição Federal, espera-se uma diminuição dessa problemática.