A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 20/08/2021
Em seu poema “Vou-me embora para Pasárgada”, Manuel Bandeira - famoso poeta modernista - atribui inúmeras peculiaridades ao seu almejado destino, Bandeira enuncia nessa obra o desejo de fuga da realidade. Nesse sentido, muitos brasileiros dividem esse anseio de escape da vida real com o célebre poeta, uma vez que a dor da fome permeia a existência de vários desses. Sob essa perspectiva, ressalta-se que as razões que contribuem para a manutenção desse infortúnio, no corpo social brasileiro, está atrelado à desigualdade social, bem como a intensa exportação de produtos nacionais.
Logo, tal como arrolou a filósofa neoplatônica grega, Hipátia de Alexandria, “compreender as coisas que nos rodeiam é a melhor preparação para compreender o que há mais além”. Isto é, torna-se necessário, depreender que a problemática da fome em território nacional, é uma sequela do contraste social existente no país, devido a concentração de renda em grandes centros urbanos, como São Paulo, por exemplo. Ou seja, as disparidades socioeconômicas resultam em diferenças na qualidade de vida dos indivíduos, tem-se como exemplo as regiões norte e nordeste, onde a fome vivida pelos cidadãos é de conhecimento nacional, já que ainda nesse ano, houveram inúmeras reportagens citando filas gigantescas em açogues que realizam doações de carnes consideradas não comerciáveis, como ossos.
Ademais, os obstáculos para a erradicação da fome em território nacional aumentam devido a acentuada exportação nacional. Desse modo, como grande parte da produção agrícola brasileira é exportada, e, acaba retornando à nação por meio de empresas extrangeiras, com altos preços. Em particular, tal como cita Renato Maluf, coordenador da Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), a agropecuária exportadora concentra propriedade, tem impactos sociais, e, além disso, esse modelo não tem a perspectiva de alimentar pessoas, é um grande negócio global. onde somente quem tem poder aquisitivo tem acesso. Diante desse cenário, para que não seja necessário recorrer à fuga, tal como Manuel Bandeira aspirava, intervenções devem ser feitas.
Isto posto, torna-se primordial que o Ministério da Economia incentive o permanecimento dos produtos agricolas no país, tal qual favoreça a produção nacional. Por outras palavras, esse incentivo dever ser feito através de descontos e isenções para empresas alimentícias brasileiras, visando, assim, a diminuição nos valores de produtos alimentícios do dia a dia, propiciando, dessa forma, que mais pessoas tenham acesso a alimentos essencias. Em sequência, se essa problemática for tratada com a seriedade devida, o desejo do abandono da realidade continuará sendo de valia somente à Manuel Bandeira.