A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 01/09/2021
Na série brasileira “3%”, da Netflix, a sociedade está dividida em dois extremos: um, privilegiado, com seus direitos garantidos e outro que vive em extrema miséria, inclusive passando por situações de fome. Saindo da ficção, é possível analisar o contexto da série de forma semelhante à realidade brasileira, que sofre com a disparidade socioeconômica e a má distribuição de renda, catalisando a problemática da fome.
A princípio, é notório o contexto desigual em que se vive no Brasil. Nesse sentido, o escritor Milton Santos afirma que existem duas classes sociais, a dos que não comem e a dos que não dormem com medo de uma revolução da primeira classe citada. Seguindo esse raciocínio, a história do Brasil é marcada pelas desigualdades desde o princípio, com a chegada dos portugueses, e foi perpetuada ao longo do tempo até o momento hodierno, no qual milhões de brasileiros tem a fome como constituinte de sua realidade e outros, que nunca passaram por essa situação, preservam seus privilégios. Desse modo, há uma classe que possui poder e, muitas vezes, apenas preserva os seus direitos e não busca melhorias para o país, principalmente para os mais necessitados.
Além disso, são evidentes as proporções continentais do Brasil e a necessidade da garantia dos direitos a todos. Nesse âmbito, o filósofo John Locke afirma que o Estado deve garantir as necessidades básicas dos indivíduos. Todavia, a fome é um problema no Brasil e as populações do Norte e do Nordeste são as que mais sofrem com essa questão devido à má distribuição de renda, visto que essas regiões são menos favorecidas pelo Estado, não recebendo os recursos, as verbas e a fiscalização adequada. Dessa forma, populações carentes permancem lidando com a fome, além dos outros direitos que também não são assegurados, o que discorda da análise de Locke.
Portanto, medidas precisam ser tomadas para mitigar a questão da fome no Brasil. Nesse prisma, o Ministério Público e as Secretarias Municipais de Educação devem promover a alimentação e a ajuda entre as comunidades, influenciando a caridade nas escolas, por meio de programas de garantia alimentar e de renda às pessoas em condição de extrema pobreza, a fim de reduzir o número de brasileiros que passam fome. Assim, será evitada uma situação análoga à da série 3%.