A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 19/08/2021

“A fome não dá pra interromper. A fome e a raiva é coisa dos homens”. Esse é o refrão da música “O Ronco da Cuíca”, interpretada pelo grupo MPB4. Nela é retratada uma visão precisa, apesar de cética, da realidade brasileira, na qual a fome está amplamente presente e parece não ter soluções. A fim de encontrar resoluções possíveis e plausíveis para o impasse provocado pela questão da fome no Brasil contemporâneo, é necessário analisar quais são os fatores sociais e econômicos que o motivam.

Primeiramente, é preciso levar em consideração o histórico de desigualdade regional (e consequentemente, social) na nação brasileira. Tal tema foi amplamente discutido pelo sociólogo Josué de Castro que, em seu livro “Geografia da Fome”, estudou a falta de acesso à comida, percebendo, através de estudos históricos, geográficos e sociológicos, um claro contraste entre as macrorregiões Norte-Nordeste e Centro-Sul no que se refere à questão da fome. Dados do IBGE confirmam essa teoria, demonstrando que há uma porcentagem maior de indivíduos com dificuldades para se alimentar nos estados setentrionais. Tal conclusão enfatiza a necessidade de políticas públicas focadas às situações específicas das regiões brasileiras.

Além disso, é prudente analisar as condições econômicas do Brasil contemporâneo. A nação, na última década, por duas grandes crises financeiras: em 2014, como consequência da Grande Crise do Capitalismo em 2008 e, mais recentemente, como resultado da pandemia do vírus SARS-Cov-2. O desemprego e a inflação, agravados pelas constantes disputas entre estados e Governo Federal sobre a questão dos confinamentos, somados à não-resolvida crise político-econômica de 2014, levaram a um aumento geral da porcentagem de indivíduos com acesso insuficiente a alimentos. Isso mostra a assustadora contemporaniedade e proximidade de tal questão, que, apesar disso, ainda é ignorada pelas esferas governamentais.

A partir dos fatos mencionados, é perceptível a possibilidade de atenuação - e eventualmente, erradicação- do problema da fome no Brasil, se e somente se políticas efetivas de combate a essa questão sejam efetuadas. Podemos citar: a criação - por parte do Governo Federal, através do Ministério da Cidadania - de um programa de distribuição de vales-refeição às populações com risco acentuado de falta de alimentos (como pessoas em situação de rua, populações ribeirinhas, desempregados, etc.), com o intuito de garantir que