A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 21/08/2021
O filme “O poço” retrata, de forma subjetiva e peculiar, que o acesso desigual aos alimentos está diretamente ligado com as disparidades sociais, hierarquização e leva à animalização das ações do ser humano. Fora dos limites ficcionais, é perceptível que a questão da fome e seus fatores motivadores são constantes na vivencia de um número exorbitante de brasileiros. Desse modo, a desigualdade social e a negligência governamental fazem com que esse problema se acentue.
Convém ressaltar, a princípio, a desigualdade no Brasil como uma grande barreira para que o acesso a alimentação eficaz seja bem-sucedida. Nesse contexto, o sociólogo Karl Marx afirma que as desigualdades sociais são produto de relações jurídicas, políticas e econômicas, pautadas no poder de dominação de um grupo sobre outro. Dessa maneira, esse desequilíbrio causado pelo próprio ser humano, com a concentração desigual de riquezas, sustenta a realidade da fome e miséria do povo brasileiro. Com isso, tem-se uma grande parcela da sociedade como vítima da má distribuição de renda, terras e acesso à alimentação, fazendo com que, ainda no século XXI, haja pessoas em estado de desnutrição ou morrendo diariamente pela fome.
Além disso, faz-se importante apontar o Estado como falho quanto a administração das políticas públicas destinadas à diminuição da escassez de alimentos e a distribuição destes no Brasil. Sob essa óptica, a Emenda Constitucional nº 64 compreende a alimentação como um direito social, fixados no artigo 6º da Constituição Federal de 1988. Porém, verifica-se que essa emenda se encontra corrompida na realidade brasileira à medida que os projetos e leis já criados são pouco eficientes e minimamente presentes na realidade brasileira, fazendo com que os direitos e ações permaneçam no papel. Logo, o Estado, que deveria garantir o direito do povo, acaba se afastando da sua função inicial e não garante o acesso ao bem-estar, se tornando um dos fatores motivadores da fome.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de alternativas que visem mitigar a questão da fome e seus fatores motivacionais no Brasil hodierno. Assim, é dever do Governo, um dos responsáveis pela manutenção desse quadro, incentivar projetos sociais, reformulando antigas iniciativas, por meio da verba pública e integração social, para torná-las mais acessíveis a todos e elevar o número de pessoas com acesso à alimentação, demonstrando sua importância para um pleno desenvolvimento individual e coletivo. Por conseguinte, atuam no combate a insegurança alimentar que assola um grande percentual no país. Em virtude disso, a realidade do Brasil tornar-se-á cada vez mais distante da realidade do filme “O poço” e mais próxima do que é garantido pela Constituição.