A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 07/10/2021

Hannah Arendt, em seu livro “Eichmann em Jerusalém”, desenvolveu o conceito “banalidade do mal”, em razão a substituição da normalidade pela calamidade. Seguindo a lógica arendtiana, e, concomitantemente, nivelando-a com a realidade do Brasil, é notável que a questão da fome e seus fatores motivadores é uma adversidade que se transmudou em banal. À vista disso, com o objetivo de revogar esse processo, é necessário selecionar o conteúdo estatal e a conduta social.

Antes de tudo, é relevante abordar que o descaso do poder público na administração das cidades ocasiona uma antidemocracia do artigo 6 °, que garante, entre outros direitos, o acesso à alimentação. Para entendre tal apontamento, segundo o livro “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda, é preciso considerar que a vida em áreas urbanas se desenvolveu de forma não planejada, com herança de uma sociedade oligárquica, mostrando, assim, que as virtudes da Carta Magna abrangem apenas os mais abastados, não incluindo camadas menos favorecidas, que, consequentemente, são mais vulneráveis ​​a falta de mantimentos, evidenciando, dessa forma, um dos motivos fortalecedores do problema. Dessa forma, observa-se o desuso da Constituição Cidadã e a urgência de se resolver esse cenário, para que o bem-estar coletivo seja alcançado.

Paralelo a isso, ainda, é necessário ressaltar que a carência de participação social também contribui para questão da fome no Brasil. Na iminência de justificar tal observação, é válido relembrar o pensamento positivista, de Auguste Comte, no que se refere à sociedade como um organismo biológico desenvolvido pela coletividade. Sob esse viés, é nítido afirmar que pela falta de debates populares - com o intuito de evidenciar a problemática - mostra-se o forte individualismo presente na sociedade e o decaimento da comunidade, fomentando a ideologia da banalização da fome, e, por fim, sendo incoerente com o raciocínio proposto por Comte.

Depreende-se, portanto, a relevância de amenizar ou imbróglio, seguindo o pensamento de Karl Marx, filósofo alemão, quando diz que não basta pensar, é necessário agir. Para que isso ocorra, o Governo Federal, em parceria com os municípios, deve corrigir os problemas estatal e social, por meio de fiscalização bimestral, em todo o território brasileiro, para averiguar o cumprimento do artigo 6º. Além disso, são necessárias palestras quinzenais, em locais públicos das cidades, com o intuito de evidenciar as consequências dos debates, e, assim, mitigar a temática e conscientizar a população. Espera-se, com isso, a atenuação da questão da fome e seus fatores motivadores, tendo efeito, a médio e longo prazo, no Brasil.