A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 16/09/2021
Na obra “O Espírito das Leis”, Montesquieu enfatizou que é preciso analisar as relações sociais existentes em um povo para, assim, aplicar as diretrizes legais e abonar o progresso coletivo. No entanto, ao observar a fome em terras canarinhas, certifica-se que a teoria do filósofo diverge da realidade tupiniquim contemporânea. Dessa forma, é vital enunciar os aspectos socioculturais e a insuficiência legislativa como pilares fundamentais da chaga.
Em primeira análise, é importante considerar o fator grupal. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a falta de estímulo ao debate a respeito da fome no Brasil, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona o aumento da mesma em determinadas regiões do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), apenas 40% da população do Maranhão não sofre com dificuldades para se alimentar. E isso sem sombra de dúvidas abre margens para perpetuação do problema em questão. Destarte, discorrer criticamente a problemática é o primeiro passo para a consolidação do progresso sociocultural habermaseano.
Além disso, merece destaque o quesito constitucional. Segundo Jean-Jacques Rousseau, os cidadãos cedem parte da liberdade adquirida na circunstância natural para que o Estado garanta direitos intransigentes. A fome no país no futebol, entretanto, contrasta a concepção do pensador na medida em que, embora o governo tenha promovido diversas leis de combate a fome, a ação estatal precisa ser mais intensa, estimulando o aumento na distribuição dos alimentos, pois, após o início da Revolução Verde, percebeu-se que o problema da fome não está na produção dos produtos alimentícios, mas sim na forma como eles são distribuídos. Dessa forma, ações precisam ser executadas pelas autoridades competentes com o fito de dirimir o revés.
Entende-se, portanto, a temática como sendo um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com nutricionistas e produtores agrícolas, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema, apresentar visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, o Ministério da Agricultura, deverá criar um projeto de lei, limitando a exportação de frutas, verduras e legumes em 50%, assim aumentando a concentração dos alimentos no país. Desse modo, com a deliberação de Habermas e a justiça de Rousseau, a sociedade brasileira terá o progresso social concretizado, como enfatizou Montesquieu.