A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 23/08/2021
Em 2020, um único brasileiro declarou ter recebido a quantia de R$ 1,3 bilhão em lucros e dividendos livre de impostos, de acordo com dados públicos divulgados pela Receita Federal. Enquanto isso, existem 19 milhões de brasileiros em situação de fome no Brasil em 2020, segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan). Logo, vê-se que a questão da fome no Brasil é fundamentada tanto na desigualdade social quanto na irresponsabilidade governamental.
Nessa perspectiva, cabe ressaltar que, na pirâmide social-tributária do Brasil, consoante a Receita, quanto mais rica for a pessoa, maior será a parcela da renda que permanece isenta. Em contrapartida, a população que não é privilegiada financeiramente é obrigada a pagar valores elevados de impostos. Nesse âmbito, levando em consideração que o salário mínimo do brasileiro não é um valor confortável para, por exemplo, uma família de 5 pessoas viver, percebe-se um dos fatores motivadores da fome no Brasil: vunelrabilidade econômica. Nesse viés, evidencia-se cenas como a reportada pelo programa Fantástico, na qual cuiabanos estavam em uma fila à espera de retalhos de carne em ossos para poder se alimentar por não terem o poder de compra necessário para adquirir comida.
Outrossim, vale destacar que, em concordância com o contratualista John Locke, a sociedade cria o Estado, por meio de um contrato social, para que esse assegure a ela seus direitos. Entretanto, analisando os 19 milhões de indivíduos em situação de fome e as pessoas em Cuiabá à espera de retalhos de carne, nota-se transgressão do direito humano de segurança alimentar. Diante disso, há o abandono do poder público em realação a essa pauta, uma vez que, para milhões de brasileiros, não há poder de compra e não há assistencialismo para o combate à fome. Por conseguinte, vê-se que o governo é irresponsável e promotor da fome no país.
A falta do que comer para uma parcela significativa da população do Brasil é, portanto, pautada na exclusão e desigualdade socioeconômica e urge de medidas que mitiguem esse cenário. Para isso, cabe ao governo federal dar maior poder de compra aos brasileiros, por meio do aumento do salário mínimo e de auxílio financeiro para todos os milhões de cidadãos que estão sofrendo com a fome. Dessa forma, para que tais ações ocorram, os recursos devem vir da taxação de impostos dos mais ricos. Espera-se, dessa maneira, combater a questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores, ao dar uma condição financeira digna a milhões de indivíduos e diminuir a desigualdade social, na qual um único brasileiro possui a quantia financeira que alimentaria milhares de pessoas.