A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 23/08/2021
Um movimento que surgiu durante o século XVIII, na Europa, marcado pelos ideais liberais e progressistas, o Iluminismo propaga a ideia de que uma sociedade só progride quando os indivíduos mobilizam entre si. No entanto, hodiernamente, nota-se esse ideário somente na teoria e não desejavelmente na prática, uma vez que a fome ainda se configura como um problema no Brasil. Então, torna-se fundamental o debate sobre o desemprego e a alta concentração de renda no país.
Sob esse prisma, é evidente que o desemprego de parte da população brasileira, seja por uma mudança na estrutura produtiva (estrutural) ou uma crise pelo qual o país passa (conjuntural), tem contribuído para o agravamento da fome, posto que, de acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2021, o desemprego já atinge 14 milhões de brasileiros. No contexto da Revolução Gloriosa de 1689, Isaac Newton, filósofo e criador das três leis da dinâmica, define, na terceira lei, que cada ação gera uma reação. Nesse sentido, se o indivíduo não trabalha, não consegue capital para adquirir insumos alimentícios, por exemplo. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a mudança é desejável em todas as coisas. Assim, faz-se pertinente a reformulação dessa conjuntura.
Em consonância, outro fator propulsor da problemática é a alta concentração de renda no país, conforme aponta um estudo realizado pelo banco Credit Suisse, onde afirma que, aproximadamente, 50% da riqueza do país está nas mãos de apenas 1% da população. Nesse cenário, a fome está cada vez mais presente no cotidiano de muitoas pessoas, que não possuem recursos financeiros nem para comprar um pão, por exemplo, assim como afirma uma pesquisa feita pelo IBGE, no qual, em média, a cada 21 milhões de domicílios há 10 pessoas não comem por um dia inteiro, por não ter capital. De acordo com o dramaturgo irlandês Oscar Wilde, o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação advém da insatisfação. Destarte, medidas holísticas são extremamente necessárias.
Dessa forma, é perceptível que a fome no Brasil ainda é um problema a ser resolvido. Logo, é mister que o Ministério do Trabalho, em parcerias público-privadas, trabalhe para a geração de mais empregos às pessoas, oferecendo remuneração como um meio eficiente de acabar com a fome. Ademais, urge que o Ministério da Cidadania - órgão responsável por formular e coordenar políticas, programas e ações para a garantia de direitos à sociedade -, em conjunto com o Ministério da Economia, implemente um programa para a doação de cestas básicas mensais à população carente, com um “slogan” como “Fome nunca mais!”, por exemplo, com o fito de erradicar a fome no país, além de dar o primeiro passo rumo ao progresso descrito por Oscar Wilde.