A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 25/08/2021

No livro Vidas Secas, do escritor Graciliano Ramos, uma família de sertanejos precisa alimentar-se do papagaio de estimação para alívio da fome, expondo a opressão social dos povos do nordeste brasileiro na década de 30, quando o livro foi lançado. Hoje, principalmente as regiões no norte e no nordeste do país ainda enfrentam esse problema, por um lado devido à má distribuição da produção alimentícia no Brasil, e, por outro, devido ao rebaixamento dessas populações a subcidadãos. Por isso, o Ministério da Cidadania deve resgatar essas pessoas dessa situação de pobreza, por meio do desenvolvimento de políticas públicas.

A referida má distribuição alimentícia no Brasil pode ser exemplificada com acontecimentos em Cuiabá, capital do Mato Grosso, no ano de 2021. No meio da crise econômica causada pela pandemia da Covid-19, famílias formavam filas em açougues para a obtenção de ossos para servir como alimento, numa reação para aliviar a fome. É notório esse acontecimento no estado mais desenvolvido na produção agrária do país, e revela uma questão na má distribuição de alimentos produzidos nacionalmente. Nesse sentido, cabe ressaltar o interesse do agronegócio brasileiro na exportação, atividade mais lucrativa, num reflexo do “capitalismo selvagem”, termo primeiramente utilizado pelo filósofo alemão Karl Marx para descrever a necessidade de empresas em lucrar, mesmo ao custo da dignidade humana de outrem.

Assim, ao relacionar a fome com lucro econômico, nota-se a conexão entre a falta de alimento e a dificuldade de acesso à cultura, a serviços e a uma vida digna. Esses grupos são descritos pelo sociólogo brasileiro Jessé de Souza como “subcidadãos”, num termo que expõe a desumanização sofrida por essas pessoas por parte do resto da sociedade. Segundo o autor, é dever das instituições públicas resgatar esses grupos dessa situação de pobreza e humilhação. No entanto, para tanto, políticas públicas devem ser desenvolvidas e respeitadas.

Dessa maneira, urge que o Estado tome providências para resolver essa questão. O Ministério da Cidadania deve incentivar, com a cooperação de restaurantes da rede privada, a criação e manutenção de restaurantes populares em áreas carentes, com o objetivo de resgatar essas populações da situação de fome. Para que isso aconteça, faz-se necessário o direcionamento de verbas públicas para essa questão. Além disso, o Estado deve garantir uma melhor distribuição da produção do agronegócio em território brasileiro, ao cobrar dos produtores um limite de exportação no percentual de carne produzido no país. Somente com essas medidas, realidades abomináveis, como a da família de Fabiano no romance “Vidas Secas”, deixarão de existir, garantindo dignidade a todas as famílias brasileiras.