A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 26/08/2021

No filme espanhol ‘’O Poço’’, prisioneiros são confinados em uma torre, onde só podem se alimentar dos restos dos níveis acima. É possível perceber no filme que a questão da distribuição de comida e a relação com a desigualdade social, visto que os níveis mais acima são privilegiados, enquanto os mais abaixo sofrem com a menor chegada de alimentos. Fora da ficção, o contexto brasileiro se enquadra com a obra cinematográfica, tendo em vista que a concentração fundiária e a concentração de renda perpetuam a situação de pobreza e desnivelamento entre as classes sociais. Destarte, é fundamental analisar as razões que tornam essa problemática uma realidade no mundo contemporâneo.

Primeiramente, cabe abordar a concentração fundiária relacionada com os aumentos dos níveis de pobreza e desigualdades sociais no Brasil. Segundo dados do IBGE, a concentração fundiária permite que 0,3% das fazendas brasileiras ocupem 32,8% de toda a área de produção agropecuária do país. Nesse sentido, verifica-se que desde nossa colonização. Isso ocorre porque durante o Brasil Colonial, a distribuição de Sesmarias e Capitanias Hereditárias sempre foram feitas sem uma medida regular, gerando nas imensas propriedades que temos hoje em dia. Portanto, é necessária uma regulamentação no tamanho das terras nas mãos de poucos fazendeiros, de modo a reduzir a desigualdade social.            Ademais, outro fator a salientar é a concentração de renda nas classes sociais mais privilegiadas. Segundo relatório da ONU, o Brasil tem a segunda maior concentração de renda do mundo. Este dado alarmante comprova que a situação de concentração de renda, advindo dos privilégios históricos da população rica, é um dos fatores para os níveis de fome e pobreza em nosso país. Logo, é mister pressionar as políticas públicas, de modo a forçá-los a regulamentar as taxas de concentração nas mãos de poucos.

Torna-se evidente, portanto, que a fome é fator diretamente ligado às concentrações de renda e terras nos poucos setores que compõem nossa sociedade. Assim, cabe ao Poder Executivo, combater as desigualdades sociais, mediante o investimento no Ministério da Fazenda, que irá mediar os níveis de concentração fundiária nas mãos dos latifundiários, promovendo a distribuição das terras que não estiverem exercendo sua função social, prevista na Constituição de 1988. Outrossim, compete ao Legislativo inserir novos programas sociais no combate a fome, como por exemplo tivemos o Fome Zero e o Bolsa Família, os quais levaram o Brasil a deixar o Mapa Mundial da Fome em 2014. Dessa forma, será possível, construir uma sociedade mais igualitária e com menores níveis de fome.