A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 31/08/2021

No artigo 6º da Constituição Federal de 1988, o documento jurídico mais importante do país, a alimentação consta como direito inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, tal prerrogativa não tem se reverberado efetivamente na prática, principalmente ao se observar a enorme parcela marginalizada da população brasileira que sofre diariamente com o problema da subnutrição. Em tal circunstância, lista-se como fatores a inadequada distribuição de recursos para os brasileiros e a grande parcela da produção agrícola voltada para a exportação.

Em primeiro plano, é evidente o fato da acentuada desigualdade social que afeta a nação, algo que ocorre desde a época da colonização do país, mas que se mostra presente até os dias de hoje, e pode ser vista, entre outros, na questão da fome. Segundo pesquisas do IBGE, mais de sete milhões de pessoas convivem com a subalimentação no Brasil. Portanto, pode-se relacionar essa dado com a desigualdade, já que, devido à sua condição social, muitas dessas vítimas não conseguem um emprego nem um salário necessário para suprir suas necessidades básicas, a exemplo da alimentação.

Simultaneamente, os diversos acordos de exportação dos produtos agrícolas brasileiros também são outros fatores da conjuntura. A exemplo disso, tem-se a soja, que, apesar de ser o alimento mais cultivado em território nacional, conta com 70% de toda sua produção vendida para outros países com acordos comerciais. Consequentemente, com apenas 30%, não há comida o suficiente para satisfazer as próprias necessidades do país produtor, já que, também por causa da desigualdade, muito dessa porcentagem que é comercializada internamente fica para as classes superiores, algo que contribui ainda mais para a situação da fome.

Destarte, é possível inferir que há um conjunto de fatores que justificam os altos índices de subnutrição no Brasil. Logo, é necessário que o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em conjunto com ONGs beneficentes, ajam em conjunto para diminuir tais alarmantes estatísticas. Por exemplo, poderiam agir por meio de campanhas de atendimento e fornecimento de subsídios para famílias carentes, que auxiliariam na obtenção de alimento e reduziriam drasticamente a miséria nas periferia social. Dessa maneira, o Estado cumpriria o que tange o artigo 6º da Constituição Federal de 1988.