A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 30/08/2021
“Vidas Secas”, obra de Graciliano Ramos, retrata com precisão o triste cenário dos retirantes nordestinos, os quais são marginalizados e assolados pela miséria, sobretudo, a fome. Para além das páginas, a realidade de milhares de brasileiros não se mostra distante daquela retratada no livro, visto que a falta de comida, seja pela falta de eficientes ações governamentais ou pelo problemático panorama social do país, afeta, principalmente, os mais pobres.
Em uma primeira análise, sob a ótica política, a secundarização das pautas relacionadas à fome no país faz-se motivador do aumento do número de pessoas em insegurança alimentar. Isso porque a falta de investimento ou de planejamento adequado nos programas sociais reduz a capacidade de compra da população mais carente, haja vista os altos custos com a alimentação. Simon Schwartzman, a partir do conceito de “Neopatrimonialismo”, afirmou que a maquinaria Estatal utiliza os recursos públicos para satisfação de seus interesses privados, o que afasta-se do investimento em projetos para a sociedade, inclusive aqueles que objetivam garantir a segurança alimentar dos cidadãos. Dessa forma, a participação reduzida do Governo revela-se como motivadora da caótica conjuntura da fome no país.
Ademais, vale ainda salientar que os problemas atuais do Brasil - desemprego, aumento dos produtos básicos- agravam o cenário de fome no país. Essa correlação pode ser estabelecida uma vez que a falta de capital para alimentação aumenta o número de pessoas em insegurança alimentar, ou seja, esses indivíduos não possuem acesso regular e permanente a alimentos em quantidade e em qualidade suficiente para sua sobrevivência. Nesse triste contexto, observa-se que, em 2021, segundo o DIESSE - entidade que realiza pesquisas acerca do custo de vida no Brasil-, o valor da cesta básica aumentou na maioria das capitais da nação, o que demonstra o encarecimento de produtos básicos para a população em geral, tal incremento prejudica, principalmente, aqueles que não possuem renda suficiente para arcar com os altos custos da alimentação. Sendo assim, esse grupo está em insegurança alimentar, reféns da marginalização e das mazelas, tal como os retirantes de “Vidas Secas”.
Torna-se evidente, portanto, que a questão da fome no país possui como motivadores a falta de uma gestão pública eficente e a grave situação socioeconômica do Brasil. Para reverter esse quadro, é preciso que o Poder Executivo -por intermédio do Ministério da Cidadania- faça, em parceria com economistas capacitados, a criação do projeto “Prato na mesa”, que vise combater a fome. Por meio do desenvolvimento e da distribuição de bolsas de auxílio que possibilitem a compra de alimentos básicos para a população mais carente, a fim de combater o grave cenário da fome entre os brasileiros.