A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 13/09/2021
A obra de Graciliano Ramos, “Vidas Secas”, retrata a precariedade da vida de uma família de retirantes nordestinos, que sofrem com a fome e com a seca. Fora da ficção, essa é a realidade de grande parte da população brasileira, que não possui as suas necessidades atendidas pelo Estado. Desse modo, é necessário analisar os fatores motivadores para esse óbice, entre os quais, estão a concentração fundiária expressiva e a falta de políticas públicas eficazes.
Precipuamente, é notório ressaltar o quão impactante é a concentração fundiária brasileira no problema da fome. Nesse sentido, pode-se destacar a Lei de Terras, implementada durante o Segundo Reinado no Brasil, que intensificou a formação de latifúndios por meio da compra de propriedades. Em detrimento disso, a população pobre foi excluída do acesso à terra, o que contribuiu para aumentar as desigualdades socioeconômicas no país; além disso, uma vez que a produção rural é basicamente voltada ao exterior, o povo sofre com a baixa qualidade e os altos preços dos alimentos. Portanto, urge haver uma reforma estrutural no setor primário da economia.
Ademais, é preciso frisar a baixa eficiência das políticas públicas voltadas ao solucionamento do impasse da subnutrição no Brasil. Sob essa óptica, deve-se usar como exemplo o “Bolsa Família”, implantado durante o governo Lula na década de 2000, que foi criado para auxiliar a população de baixa renda. No entanto, esse projeto falha em resolver a fome no país, uma vez que não aumenta a qualidade de vida das pessoas nem garante a qualidade nutricional de sua dieta; não apenas isso, mas também dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2017 indicam que o problema da subalimentação somente piorou, apesar das políticas assistencialistas existentes no país. Com isso, torna-se evidente que o governo deve intervir de forma eficaz para solucionar esse problema.
Dessarte, é urgente que medidas sejam tomadas a fim de resolver a questão da fome. Para tanto, cabe ao Ministério de Desenvolvimento Regional, responsável pela reforma agrária no Brasil, reduzir a concentração fundiária no país, por meio da distribuição de terras atualmente improdutivas a pequenos agricultores e camponeses, com o fito de abastecer a população brasileira com a produção interna. Além disso, o governo federal deve investir em políticas públicas que permitam a mudança socioeconômica do povo para garantir o desaparecimento da fome no território. Assim, a realidade mostrada no livro de Graciliano não será mais vista no espaço rural brasileiro.