A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 13/09/2021

O direito à alimentação está previsto no artigo 25 da Declaração dos Direitos Humanos, o que o torna um direito inalienável e universal ao homem. Entretanto, essa realidade não é aplicada e grande parcela da população brasileira encara a fome como principal inimigo. Nessa conjuntura, tal imbróglio tem causas diversas, inclusive, nas mudanças climáticas e no grande comprometimento econômico do setor agrícola. Logo, torna-se fulcral a mediação da problemática para um progresso social.

A princípio, é notório ressaltar a magnitude das mudanças climáticas na questão da insegurança alimentar. Nesse viés, os fatores do clima influenciam diretamente na agricultura e no seu desempenho, como o regime de chuvas, a umidade do ar, a variação de temperatura durante o ano, entre outros. Análogo a isso, fenômenos como “El Niño”, responsável pelo aumento anormal da temperatura das águas do oceano Pacífico, interfere no clima de várias regiões, por um lado inundando e devastando plantações e por outro promovendo escassez de alguns rios em diversos locais. Dessa forma, é visto que o clima é fator preponderante para a manutenção da fome no cenário global.

Outrossim, é relevante ressaltar o enfoque do setor agrícola para a exportação de matérias primas lucrativas. Nesse ínterim, a agricultura brasileira se volta para a exportação de commodities (produtos primários comercializados na bolsa de valores, como a soja) por apresentarem elevado valor comercial e estratégico, pondo em segundo plano a questão da alimentação populacional. Segundo o Ministério da Economia, “A soja, principal produto de exportação do Brasil em valores, teve um crescimento nos embarques de 13% ante 2019, para 83 milhões de toneladas em 2020”. Portanto, é perceptível a importância dada ao desenvolvimento da agricultura voltada ao progresso econômico e não a uma seguridade alimentar.

Dessarte, visto os argumentos supracitados, urge a necessidade de atenuação da problemática. Para um avanço no âmbito social, cabe ao Ministério da Cidadania, órgão responsável pelas políticas de desenvolvimento social, elaborar um conjunto de políticas públicas por meio de uma ótica mais humanitária que priorizem as populações mais vulneráveis quanto à questão da fome. Assim, espera-se a evolução de uma sociedade mais plena quanto aos direitos assegurados pela Declaração dos Direitos Humanos.