A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 12/09/2021
Embora o advento das tecnologias agropecuárias, introduzidas pela Revolução Verde, fizessem com que a produção não dependesse somente da área territorial, mas sim das técnicas envolvidas, a fome, no Brasil, ainda figura como uma das principais problemáticas a ser resolvida. Com o aumento da população em insegurança alimentar - de sete milhões para dez milhões, de acordo com dados do IBGE em 2018 -, tal discussão se tornou primordial. Dessa maneira, é perceptível que os altos indíces, relacionados à fome, são um reflexo do cenário de desigualdade social e da má distribuição de alimentos no país. Assim, faz-se necessário discutir acerca do tema, a fim de propor soluções concretas que amenizem essa adversidade.
Decerto, nota-se que a desigualdade social no Brasil é uma das principais adversidades que assolam o país e contribuem para o aumento da fome. Isso é mostrado no Índice de Gini, o qual enquadra o Estado brasileiro entre os 10 países mais desiguais do mundo. Tal desigualdade corrobora com o alastramento da fome, por meio da grande discrepância no poder aquisitivo - a concentração da renda se encontra nas mãos de poucos - e pela falta de políticas públicas, relacionadas a geração de renda e emprego, bem como na educação, sáude e outros direitos sociais, fazendo com que uma boa parcela da população fique desempregada ou à merce dos subempregos, cujos baixos salários colaboram para a manutenção desse ciclo vicioso. Esse contraste entre as concentrações de renda e políticas de governo mostra que muitos brasileiros ficam em situações de risco frente a de sua alimentação.
Em segundo plano, é visível que há, no Brasil, uma má distribuição dos alimentos entre a população. Isso é evidenciado por uma pesquisa da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (AFO), que mostra a produção alimentícia brasileira como a terceira maior do mundo, atrás apenas da China e dos EUA. Essa má distribuição, no mercado interno, é resultante de um modelo agroexportador e da dependência que o país tem do pequeno produtor - responsável por boa parte do alimento comercializado no mercado nacional - o qual sofre com a falta de assistência. Desse modo, é por meio desse modelo que o Brasil ainda sofre com a insegurança alimentar e fome.
Por conseguinte, é perceptível que a fome e a insegurança alimentar são resultantes da desigualdade social e da má distribuição dos alimentos no mercado interno. Portanto, urge ao Ministério da Agricultura, juntamente com o Ministério do Desenvolvimento, criar, por meio de investimentos, políticas de auxílio e subsídio ao pequeno produtor, para que o mesmo não sofra com a volatilidade cambial e com as intempéries, pois é ele que é responsável pelos alimentos que abastecessem a mesa do brasileiro.