A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 13/09/2021
O romance filosófico “Utopia”, criado pelo escritor inglês Thomas Morus, retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, mostra-se distante da realidade contemporânea em relação à questão da fome e seus fatores motivacionais, problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão da má distribuição de renda, mas também da produção agrícola voltada para o mercado externo.
Em primeira análise, é válido citar que a desigualdade na distribuição de renda é um dos principais motivadores da problemática. Sob a perspectiva do filósofo John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Todavia, é notório o rompimento desse contrato social no cenário brasileiro, visto que mais de dez milhões de pessoas passam fome no Brasil, sendo a maior parte da zona rural, mesmo que mais da metade dos alimentos consumidos no país sejam produzidos pela agricultura familiar, como indica um relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Essa contradição ocorre devido a má distribuição de renda na sociedade, logo, o agricultor produz o alimento mas não possui dinheiro para comprá-lo. Além disso, muitos projetos sociais de auxílio aos pequenos produtores tiveram uma redução nos investimentos, devido a falta de apoio e incentivo por parte do Poder Público.
Ademais, a destinação dos insumos agrícolas para o comércio externo, apresenta-se como outro desafio da problemática. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 40,1% da população rural passa fome no Brasil, enquanto a sociedade direciona 70% da produção nacional para o comércio internacional. Sendo assim, as autoridades se preocupam mais com o capital do que com o abastecimento da população. Por fim, é lamentável que um país signatário dos direitos humanos não seja capaz de garantir o mínimo para sobrevivência da população carente.
Portanto, medidas são necessárias para a solução do impasse. Logo, cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em conjunto com o empresariado local, o incentivo à melhoria da produtividade nas áreas rurais, tanto por meio da redução dos preços dos insumos e implementos agrícolas, quanto pela criação de empregos no meio rural. Com isso, as populações mais suscetíveis à fome garantirão sua subsistência. Outrossim, o Governo também deve investir em propostas para reformulação agrária, a fim de democratizar o acesso aos recursos básicos para sobrevivência da população carente. Tudo isso em prol de uma civilização perfeita e idealizada como no romance de Thomas Morus.