A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 09/09/2021

A obra cinematográfica “O expresso do amanhã” retrata um futuro apocalíptico em que a população mundial é retida em um trem e os vagões são divididos por classes, assim como a sociedade. Sob essa perspectiva, os vagões da frente são ricos e luxuosos, enquanto os do fundo são devastados pela miséria e pela fome extrema. Fora das telas, é igualmente perceptível a questão da fome no Brasil, que atingiu 19 milhões de pessoas no ano de 2020, de acordo com dados Penssan. Dessa forma, é preciso analisar os fatores motivadores dessa realidade, entre eles o crescimento da pobreza e o desmonte de políticas públicas de segurança alimentar.

Convém destacar, mormente, que a carência e falta de renda de uma parcela considerável da população corrobora altos índices de fome. Partindo desse cenário, o sociólogo francês Pierre Bourdieu conceitua por meio do termo “Violência simbólica” que a violação humana não se reduz à agressão física, mas também se evidencia pela coerção moral e psicológica. Prova disso é vista pela negligência estatal no provimento de renda básica mínima, essencial para a segurança alimentar, tendo em vista que 2,1 milhões de domicílios tiveram dificuldade de prover alimento por falta de dinheiro em 2014, segundo dados do IBGE. Logo, fica evidente a necessidade de reduzir a desigualdade econômica, a fim de garantir um rendimento familiar que assegure a alimentação básica.

Outrossim, é preciso analisar como o desmonte de políticas públicas contribuem para a questão da fome. Nesse viés, diversos projetos de segurança alimentar implantados no Brasil nos últimos anos receberam drásticos cortes de orçamento. Em conjunto a isso, o país tem redirecionado a atenção financeira para a exportação agrícola, deixando de lado o suporte à agricultura familiar, como exemplo o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA) que teve como orçamento metade do necessário. Sob esse viés, pode-se relacionar essa realidade com a teoria newtoniana da Inércia, a partir da visualização de que a questão da fome só sofrerá mudanças quando uma força, o Estado, contribuir com ações eficazes. Dessa maneira, evidencia-se que o Estado ignora a desigualdade estruturada na sociedade, deixando os brasileiros desamparados para reverter essa realidade.

Conclui-se, portanto, que a questão da fome é causada pela má administração dos recursos financeiros por parte do Estado. Por isso, cabe ao Poder Público, em parceria com ONGS, fortalecer e garantir o gerenciamento das políticas e programas de assistência alimentar e nutricional, por meio da gestão adequada dos recursos e da contratação de profissionais que auxiliem a ação, incluindo nutricionistas que direcionem os programas, a fim de atenuar a fome entre os brasileiros. Assim, será possível reverter a situação alimentar no Brasil, refletida no filme “O expresso do amanhã”.