A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 10/09/2021
O livro Vidas Secas, do autor Graciliano Ramos, conta a história de Fabiano e sua família, nordestinos retirantes que são obrigados a se mudar de tempos em tempos para fugir da fome. Fora da ficção, muitos brasileiros enfrentam problemática semelhante, ao lidar com a falta de alimentos no cotidiano, o que colabora para a piora da saúde do povo. Sob essa perspectiva, tal problema é recorrente devido à concentração de terras e à má administração de recursos no país.
Primeiramente, pode-se notar que o obstáculo não se encontra na quantidade de terras, mas quem as possue. Nessa conjuntura, poucas pessoas têm em suas mãos grandes latifúndios, e consequentemente o poder de escolha para quem comercializar seus produtos, em um mundo onde o dólar está supervalorizado e a exportação é barata e no final mais lucrativa. Consoante pesquisa realizada pelo FAO(Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), as pequenas propriedades representam 85,5% dos estabelecimentos do campo, apesar de ocuparem 30,5% das terras agriculturáveis. Dessa forma, apesar de tais propriedades contribuírem mais para o mercado interno, elas possuem menor território e apoio governamental. Portanto, quem serve a população brasileira se encontra abandonada por motivos econômicos em escala global.
Ademais, deve-se perceber que o Brasil detém grande potencial para a seguridade alimentar de seus cidadãos, porém seus patrimônios não são bem divididos. Nesse constructo, vê-se uma negligência estatal na hora de gerenciar o que se é produzido em contexto nacional, visto que mesmo com a disparidade da divisão do território, o obstáculo alimentar podia ser amenizado se políticas públicas fossem aplicadas a fim de redirecionar parte dos produtos ao corpo social que sofre com a adversidade. Segundo o filósofo e matemático Pitágoras, o homem é miserável porque não sabe nem ver nem entender os bens que está em seu alcance. Diante dessa seara, entende-se uma ausência do poder público no manejar de sua produção, que potencializa a desigualdade econômica no país.
Destarte, é imprescindível que medidas sejam tomadas para retirar a fome do dia-a-dia de diversos brasileiros. Nesse âmbito, cabe ao Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária, órgão responsável realizar uma melhor divisão de terras, por meio de uma reforma agrária, a fim de levar oportunidades aos pequenos produtores para uma maior contribuição à economia. Além disso, cabe ao Ministério da Economia ter como uma de suas prioridades a alimentação da sociedade, por meio da preferência de orientação de recursos para o abastecimento em escala nacional, limitando os níveis de exportação de grandes empresas se não auxiliarem na problemática, com o fito de garantir saúde nutricional a todos. Assim, espera que o Brasil mude as histórias dos “Fabianos“ por aí.