A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 13/09/2021

A fome engatinha juntamente com trajeto da nação brasileira, entranhando-se na estrutura do país, diante disso, ao longo do tempo, houve muitos questionamentos sobre a origem e a solução desta problemática, porém decorreu poucas mudanças nesse cenário. “Quem tem fome tem pressa”, citação de Herbert José, sociólogo brasileiro, dita há décadas, mas extremamente atual, em razão das pessoas afetas pela fome, necessitarem de medidas urgentes para modificar tal realidade, de antemão é fundamental analisar os fatores motivadores dessa questão, como a distribuição desigual de recursos e a desmensurada pobreza que ronda o Brasil.

É inegável que há uma discrepância social na realidade brasileira, que molda a organização do país e da população, por exemplo, a negligencia que há com 19 milhões de cidadãos brasileiros, que estão submetidos a fome ou a insegurança alimentar, de acordo com a Penssan, Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. Essa moldagem é comprovada analisando a obra de Josué de Castro, Geografia da Fome: o dilema brasileiro, na qual rompe a retrógrada ideia que a fonte da fome decorre dos problemas climáticos, como a seca presente no Nordeste, ou pelo ócio, falta de compromisso ao trabalho, mas sim da desigualdade social, portanto há necessidade de atitudes urgentes destinados a esses indivíduos em fragilidade social e econômica, e a modificação das políticas nacionais, voltadas a uma maior distribuição igualitária de recursos, assim visando reverter esse cenário.

A distribuição desigual de recursos que há na sociedade é um fator crucial na geração da fome, em razão de a priori originar a pobreza, na qual um quarto da nação vive em pobreza e analisando o mapa da fome no brasil, esses indivíduos estão concentrados nas áreas de maior miséria, sendo possível correlacionar essas duas variáveis. Nota-se ao observar a região Nordeste, que conta com 47,9% da concentração da pobreza do Brasil e que 47% da fome nacional, de acordo com IBGE, assim comprovando a relação entre os motivadores.

Em virtude dos aspectos apresentados, verifica-se que a fome está interligada a fatores sociais, como a pobreza, sendo assim é imprescindível a necessidade de ações do Estado para mudanças na estrutura social, para dessa forma beneficiar as massas afetadas, além da atuação da sociedade, com intuito de visibilizar essa problemática, a fim que haja uma conscientização e participação da população sobre a solução da questão. Uma possibilidade seria o maior incentivo do Estado a projetos ativos e funcionais de financiamento destinadas a indivíduos em situações precárias, sujeitas a fome, visto que a temática é de urgência, tendo a necessidade de medidas de curto prazo.