A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 11/09/2021
Na visão de Karl Marx um hábito primordial que precede todas as ações, comum a todos os seres humanos, é a alimentação, fazendo dela o motor de toda as ações. Em contrapartida, no Brasil, a fome continua uma realidade de muitas famílias tanto no campo como na cidade, visto que deriva, primeiramente, da condição de desigualdade rural e, por último, da marginalização de grupos urbanos. Em primeiro lugar, a falta de alimentos no campo acomete severamente os pequenos agricultores em função do mau uso das terras. Com esse constructo, por mais que os pequenos produtores forneçam comida para o mercado, sua alimentação advém do quanto recebem pela venda, de modo que não é apenas um problema social, mas econômico. Com isso em mente, as áreas campestres brasileiras foram propositalmente não distribuídas, a exemplo da Lei Terras, que ainda no governo do imperador promove a compra de terras, o que reduzia os compradores a elite cafeeira, impedindo que os outros tivessem posses. Desse maneira, as populações de baixa renda ficaram com as menores e menos produtivas regiões, o que certamente afeta no seu modo de plantio e venda, consequentemente, sua comida, resultando no cenário que agricultores menores são mais suscetíveis a passar pela fome.
Não menos importante, insegurança quanto ao que comer nas cidades é um reflexo da segregação socioeconômica das parcelas mais deficientes. Nessa conjuntura, os segmentos sociais de baixa renda dispõem logicamente de menor fonte para comprar insumos, porém a acessibilidade que essas pessoas têm é prejudicada, pois o fornecimento de serviços não é instalado perto de suas habitações. Em concordância, o geógrafo Milton Santos afirma que nos conglomerados urbanos existem pontos luminosos e opacos, sendo a distribuição de serviços, incluso mercados, lanchonetes e feiras, atraídas pela luz, parcela mais rica da metrópole, enquanto a parte escura fica cada vez mais desprovida de atendimento. Nessa seara, as comunidades mais carentes não tem dinheiro, nem acesso de qualidade a produtos alimentícios já que a discriminação deixa de ser apenas geográfica, mas também social.
Em virtude do Mencionado, no cenário em diferentes peças do Brasil permanecem na carência nutricional, é vital que hajam medidas que assegurem o mínimo para uma vivência confortável. Para isso, cabe primeiramente ao Ministério da Agricultura criar condições para que os fornecedores rurais consigam se nutrir, o que poderia ser feito por meio da reforma agrária, desapropriando terras não utilizadas, além de ensinarem técnicas de plantio para se capacitem, aumentando seu lucro. Ademais, é dever do Ministério da Saúde instituir apoio nas regiões sub-abastecidas por intermédio de incentivos, a exemplo de menos impostos, a comércios e serviços alimentares, como lojas sob preços acessíveis, na região, montando uma infraestrutura que viabilize a segurança alimentar.